Portugal ganhou em Oslo sem dominar a Noruega e talvez esteja precisamente aí a informação mais importante do segundo jogo de Jorge Jesus como selecionador.
Jesus mudou quatro jogadores em relação ao triunfo sobre o País de Gales. Cristiano Ronaldo ficou no banco, João Palhinha e João Neves deram outra capacidade física ao meio-campo, Francisco Conceição acrescentou agressividade com bola e Gonçalo Ramos permitiu pressionar a construção norueguesa desde a frente.
Foi Portugal, porém, a marcar primeiro. Nuno Mendes ganhou o duelo no meio-campo, Pedro Neto deu sequência e João Félix fez quase tudo num movimento: receção e remate, praticamente sem preparação. Segundo jogo da nova era, segundo golo de Félix.
A partir daí, o centro de gravidade mudou. Martin Odegaard começou a encontrar espaços, Antonio Nusa atacou repetidamente os corredores e Haaland obrigou Portugal a defender cada vez mais perto de Diogo Costa. Rúben Dias teve uma noite de antecipações e bloqueios, enquanto o guarda-redes português alternou intervenções importantes com momentos de menor segurança.
A pressão norueguesa prolongou-se depois do intervalo e produziu o empate. Um livre de Odegaard terminou numa defesa incompleta de Diogo Costa, a Noruega manteve a bola viva e Haaland apareceu onde aparece tantas vezes: dentro da área, com tempo suficiente para precisar apenas de um toque.
Gonçalo Ramos percebeu antes de Nyland onde iria a bola, intercetou o passe do guarda-redes e respondeu com um chapéu que devolveu imediatamente a vantagem a Portugal. Minutos depois voltou a antecipar-se ao guarda-redes e marcou novamente, mas o VAR confirmou um fora de jogo muito curto e anulou o 3-1.
A Noruega não desapareceu. Pelo contrário, voltou a assumir o jogo durante a meia hora final. Nusa continuou a desequilibrar, Odegaard comandou a procura do empate e Schjelderup teve uma das últimas grandes possibilidades depois de ser libertado diante de Diogo Costa. Portugal já não procurava controlar através da bola; procurava fechar espaços, ganhar duelos e conservar uma vantagem construída através da eficácia.
A Noruega saiu convencida de que produziu futebol suficiente para pontuar. Portugal saiu com algo mais objetivo: seis pontos em dois jogos. Não foi a exibição de uma equipa acabada, nem sequer uma vitória tranquila. Foi um jogo em que Portugal descobriu que também consegue vencer quando o adversário lhe tira parte daquilo que pretendia fazer.















