A oitava jornada não alterou as distâncias no topo porque os quatro primeiros ganharam. Alterou outra coisa: tornou mais difícil continuar a tratar Santa Clara e Académico de Viseu como acidentes de um início de campeonato. O FC Porto mantém a perfeição, Benfica e Sporting responderam, mas atrás deles há equipas que já acumularam jogos e pontos suficientes para obrigar a olhar para a classificação sem recorrer apenas à hierarquia esperada antes da época começar.
O FC Porto chegou aos Barreiros com sete vitórias e saiu com oito. Não foi uma vitória automática. Gábor Szalai colocou o Marítimo na frente, Fran Vieites adiou repetidamente a reviravolta e o líder precisou do banco para resolver. Froholdt empatou antes do intervalo e Oskar Pietuszewski, fisicamente preparado apenas para uma utilização curta, entrou aos 79 minutos e marcou o 2-1 pouco depois. São agora 24 pontos em 24, 20 golos marcados e apenas quatro sofridos.
A diferença para a jornada anterior está no que aconteceu atrás. Desta vez, os perseguidores não cederam. O Benfica venceu o Vitória de Guimarães por 2-0 e manteve-se a cinco pontos. A primeira meia hora mostrou uma equipa capaz de encostar o adversário à própria área, com Samuel Dahl a marcar e várias oportunidades para ampliar. A segunda parte foi menos convincente, o próprio Marco Silva recusou dizer que a equipa está melhor do que antes da pausa, mas Sudakov saiu do banco para fechar o resultado e Samuel Soares terminou sem fazer uma defesa.
O Sporting também respondeu depois de dois empates consecutivos. Em Braga esteve a perder, sobreviveu a duas oportunidades que podiam ter colocado o SC Braga com dois golos de vantagem e mudou completamente o jogo quando Rui Borges lançou Maxi Araújo, Rodrigo Zalazar e Luis Suárez aos 58 minutos. Suárez empatou, Zalazar participou no lance da reviravolta e marcou o 3-1. Os leões continuam invictos e chegaram aos 18 pontos.
É exatamente aí que permanece o Santa Clara. A equipa de Petit venceu o Casa Pia já nos descontos, com João Vasconcelos a decidir aos 90+2, e também soma 18 pontos sem qualquer derrota. Oito jornadas, cinco vitórias, três empates e apenas quatro golos sofridos já constituem mais do que uma sequência curiosa. O Santa Clara tem os mesmos pontos do Sporting e deixou de precisar de uma explicação semanal para justificar por que continua ali. A tabela é a explicação.
O Académico de Viseu está a construir uma confirmação semelhante noutro patamar. Venceu o Estoril por 2-1 com um golo de Messeguem aos 88 minutos e chegou à quarta vitória consecutiva. Tem 14 pontos, os mesmos do Arouca, que bateu o Estrela da Amadora na estreia de Vítor Severino como treinador principal. O clube que regressou à I Liga depois de 37 anos já não está apenas a aproveitar o entusiasmo da subida. Está a somar pontos com regularidade suficiente para ocupar a primeira metade da classificação por mérito próprio.
O Alverca acrescentou outra mudança à ronda. Depois de não ganhar nas primeiras cinco jornadas, venceu as três seguintes e fechou a oitava com um 4-1 em Famalicão. A equipa de Sérgio Ferreira chegou aos 11 pontos e transformou rapidamente um início difícil numa posição de estabilidade. Em Famalicão não precisou de dominar a posse para dominar aquilo que decidiu o encontro: castigou os espaços, marcou três vezes na segunda parte e expôs novamente os problemas defensivos de uma equipa que Carlos Carvalhal julgava ter começado a corrigir.
Também houve uma mudança importante mais abaixo. O Rio Ave estreou Vasco Seabra com uma vitória por 3-2 sobre o Nacional e conseguiu-a depois de ficar reduzido a dez jogadores aos 54 minutos. Marcou duas vezes em inferioridade numérica e chegou aos sete pontos. O resultado foi particularmente pesado para o Nacional, que empatou duas vezes, jogou mais de meia hora em superioridade e acabou por sofrer a sexta derrota consecutiva.
O fundo começa, por isso, a ganhar urgências próprias. O Estoril continua sem vencer e tem apenas dois pontos. Nacional e Casa Pia somam quatro; o Vitória de Guimarães tem cinco. O Estoril voltou a perder perto do fim, repetindo um problema que já lhe custara pontos em jornadas anteriores, enquanto o Casa Pia resistiu quase toda a segunda parte com dez diante do Santa Clara antes de sofrer nos descontos. Não são equipas sem momentos competitivos. São equipas que continuam sem transformar esses momentos em pontos suficientes.
A classificação exige ainda alguma prudência porque nem todos disputaram oito jogos. O SC Braga tem apenas seis encontros realizados e Gil Vicente e Estrela da Amadora têm sete. As posições intermédias podem mudar quando o calendário ficar nivelado. Os pontos já conquistados, porém, não são provisórios, e é aí que Santa Clara, Académico de Viseu, Arouca e Alverca começam a alterar a leitura do campeonato.
A Jornada 7 tinha aberto espaço entre o FC Porto e os perseguidores. A Jornada 8 não o aumentou, mas confirmou que ninguém no topo pode esperar que o líder abrande sozinho. O Porto continua perfeito; Benfica e Sporting responderam; o Santa Clara continua junto deles. Mais abaixo, Viseu e Alverca já transformaram boas semanas em sequências.
O campeonato ainda está no início, mas a tabela começa a ganhar memória. Oito jornadas já não permitem explicar tudo como acaso, calendário ou entusiasmo passageiro. O FC Porto construiu uma vantagem real, os rivais mantiveram a perseguição e algumas das equipas que deveriam estar apenas a procurar espaço começaram, afinal, a ocupá-lo.















