O Famalicão chegou ao intervalo empatado e saiu do jogo goleado. O 1-1 construído por Víctor Rofino aos 40 minutos ainda parecia ter corrigido uma primeira parte difícil, mas Figueiredo voltou a colocar o Alverca na frente aos 56 e a partir daí o encontro mudou completamente. Vivaldo Semedo fez o 3-1 aos 77 e André Vidigal, de penálti, fechou o 4-1 aos 84.
Carlos Carvalhal identificou precisamente o segundo golo como o momento em que a equipa perdeu a estabilidade que tinha conseguido recuperar. O treinador considerou a primeira parte competitiva, mas viu regressarem erros que julgava ultrapassados quando o Alverca voltou a marcar. A reação desapareceu e o Famalicão passou de uma equipa que tinha conseguido empatar para outra incapaz de controlar a profundidade e os ataques rápidos do adversário.
A noite já começara mal para os minhotos. Chiquinho colocou o Alverca em vantagem aos 14 minutos com um livre direto e Matheus Mattara, novidade no onze famalicense, teve de sair lesionado aos 19. Carvalhal revelou depois que o central sofreu um traumatismo na zona do tornozelo e que terá mesmo desmaiado no banco.
O Famalicão conseguiu, ainda assim, regressar ao jogo. Aos 40 minutos, Rofino apareceu solto ao segundo poste depois de um canto e cabeceou para o empate. A equipa da casa terminou a primeira parte por cima e chegou ao descanso com a possibilidade de transformar a recuperação numa vitória.
O Alverca retirou essa possibilidade logo na primeira oportunidade realmente perigosa da segunda parte. Diogo Spencer encontrou Figueiredo nas costas da defesa e o avançado fez um chapéu a Carevic para o 2-1. Foi um golo particularmente pesado porque surgiu quando o Famalicão procurava assumir o jogo e obrigou a equipa a voltar a perseguir o resultado.
Carvalhal tentou responder com alterações, mas a presença de mais jogadores ofensivos não resolveu o problema. O próprio treinador reconheceu depois que acumular homens na frente não significou criar mais oportunidades. O Famalicão ficou mais exposto e o Alverca encontrou exatamente o tipo de jogo que lhe interessava.
Vivaldo Semedo entrou aos 74 minutos e precisou de três para marcar. Um pontapé longo de Matheus Mendes atravessou o campo, o avançado ganhou o duelo e apareceu perante Carevic para fazer o 3-1. O lance sintetizou a diferença entre as equipas naquele período: o Alverca precisava de pouco para chegar à baliza, enquanto o Famalicão tinha bola sem conseguir criar perigo proporcional.
O quarto golo nasceu novamente de Diogo Spencer. O lateral entrou na área e foi derrubado por Gil Dias. A grande penalidade foi assinalada e André Vidigal converteu aos 84 minutos, dando dimensão de goleada a uma segunda parte em que o Alverca aproveitou quase todos os espaços que o adversário lhe ofereceu.
A arbitragem entrou na análise de Carvalhal por outra via. O treinador considerou que o Alverca recorreu a faltas para interromper algumas saídas do Famalicão e falou em possível permissividade nesse capítulo, embora tenha acrescentado que precisava de rever o jogo. Não apontou qualquer decisão arbitral como explicação para a derrota. O lance com impacto direto no marcador, a grande penalidade do 1-4, resultou da falta de Gil Dias sobre Spencer.
Sérgio Ferreira encontrou no comportamento sem bola a explicação para a terceira vitória consecutiva. O treinador destacou a compactação, a energia e a capacidade da equipa para adaptar a pressão. O Alverca começou o campeonato sem vencer nas primeiras cinco jornadas e respondeu com três triunfos seguidos, chegando agora aos 11 pontos.
Diogo Spencer teve influência decisiva sem aparecer entre os marcadores. Serviu Figueiredo no 2-1 e ganhou a grande penalidade que originou o quarto golo. Chiquinho abriu o caminho, Vivaldo marcou três minutos depois de entrar e o Alverca distribuiu os quatro golos por quatro jogadores diferentes.
O Famalicão ficou no lado oposto dessa trajetória. Tem sete pontos, apenas uma vitória em oito jornadas e continua sem ganhar em casa. Carvalhal assumiu a responsabilidade e lembrou a dimensão da transformação iniciada esta época, com mudança de treinador, várias alterações no onze e muitos jogadores jovens. Mas a explicação que deixou para esta derrota foi menos estrutural: erros que tinham sido corrigidos regressaram todos no mesmo jogo.
Ao intervalo havia um empate e uma partida completamente aberta. Vinte e oito minutos depois do 2-1 de Figueiredo, o marcador mostrava 1-4. Foi nesse intervalo que o Alverca confirmou a confiança de quem já vinha a ganhar e o Famalicão mostrou que a estabilidade que parecia ter começado a construir ainda está longe de estar consolidada.















