O Benfica ganhou 2-0, não permitiu qualquer remate enquadrado ao Vitória e voltou a vencer diante de mais de 60 mil adeptos, mas Marco Silva recusou apresentar a noite como prova de que a equipa regressou melhor da pausa internacional. A conclusão do treinador foi direta: o Benfica não está melhor do que estava há quinze dias.
A explicação começa na própria exibição. Marco Silva considerou os primeiros 30 minutos de grande qualidade, com dinâmica suficiente para criar várias oportunidades e colocar o Vitória quase sempre perto da própria área. O problema apareceu depois. O Benfica deixou de ter a mesma paciência, perdeu bolas evitáveis e permitiu que o adversário passasse mais tempo no seu meio-campo durante a segunda parte.
Para o treinador, a interrupção das competições não ajudou a corrigir esse comportamento. O Benfica passou quase três semanas sem poder responder em campo à derrota no Dragão e teve 14 ou 15 jogadores ausentes ao serviço das seleções. Marco Silva disse ter sentido diferentes níveis de cansaço no regresso e alterações às rotinas habituais de trabalho.
A gestão do onze também nasceu desse contexto. Fredrik Aursnes começou no banco depois de uma sequência intensa de jogos e de sinais de fadiga. Marco Silva acabou por utilizá-lo na segunda parte, quando precisava de maior calma com bola.
Alexander Bah viveu uma situação diferente. O lateral fez um esforço para estar disponível depois de um problema familiar durante a semana e acabou por pedir a substituição quando sentiu pouca energia e algum desconforto numa coxa. Marco Silva esclareceu que o problema não estava relacionado com a lesão anterior.
A resposta mais imediata veio do banco. Echeverri entrou com intensidade, criou uma oportunidade e fez a assistência para Sudakov marcar. O ucraniano, utilizado durante muito menos tempo do que habitualmente, encontrou finalmente o golo que Marco Silva considerava importante tanto para o jogador como para a equipa.
Tiago Margarido viu motivos diferentes para manter confiança. O treinador do Vitória reconheceu a superioridade encarnada até ao 1-0, mas valorizou a capacidade da sua equipa para crescer depois e jogar mais no meio-campo adversário. Apesar da escassez de pontos, continua convencido de que a qualidade apresentada oferece garantias para o futuro.
Marco Silva saiu com os três pontos, uma baliza sem sofrer e uma primeira meia hora próxima daquilo que pretende. Saiu também com uma advertência sobre o que ainda falta. A vitória resolveu a jornada. Não resolveu, para o treinador, os problemas que a equipa já tinha antes da pausa.















