Manchester United, Liverpool, Arsenal e outros clubes aparecem facilmente em exercícios que redistribuem troféus conquistados pelo Manchester City. A decisão publicada esta semana ainda não fez nada disso. A comissão determinou que o City violou gravemente as regras financeiras durante nove temporadas, mas não aplicou uma sanção e não alterou qualquer classificação histórica.
Durante o período diretamente abrangido pelas infrações, entre 2009/10 e 2017/18, o Manchester City conquistou três títulos da Premier League: 2011/12, 2013/14 e 2017/18. A decisão da comissão estabelece que o clube apresentou contas incorretas, utilizou acordos comerciais fictícios e ultrapassou limites financeiros de forma substancial. Não estabelece que Manchester United ou qualquer outro segundo classificado passe a ser campeão dessas épocas.
O passo seguinte será uma audiência específica sobre a sanção. As regras permitem à comissão aplicar multas, deduções de pontos e outras consequências desportivas, dispondo de uma margem ampla para determinar uma pena proporcional. O City tem igualmente direito a recorrer das conclusões que já foram publicadas, pelo que a própria responsabilidade ainda pode ser discutida perante um painel de recurso.
Retirar um título é também uma questão diferente de atribuí-lo a outra equipa. Mesmo que uma futura decisão determinasse a perda retroativa de um campeonato, não decorre automaticamente daí que o segundo classificado receba o troféu. Seria necessária uma decisão explícita sobre a consequência histórica, e nada do que foi publicado até agora estabelece esse mecanismo.
A distinção torna-se ainda mais importante quando a discussão se estende a Taças de Inglaterra, Taças da Liga ou competições europeias. O processo atual decorre sob as regras da Premier League. Troféus organizados por outras entidades não podem ser redistribuídos simplesmente porque uma comissão da liga inglesa decidiu um processo disciplinar próprio.
Isso não significa que o passado competitivo esteja protegido de qualquer consequência. A escala e a duração das infrações explicam por que a discussão sobre títulos existe e por que antigos adversários questionam o valor das classificações desse período. Significa apenas que uma conclusão sobre as contas não equivale automaticamente a uma nova tabela classificativa.
Por agora, o City continua com os títulos que conquistou. A comissão já respondeu à pergunta sobre as infrações. A questão de saber se o castigo chegará ao passado, ao presente ou apenas ao futuro continua por decidir.















