A decisão contra o Manchester City abriu uma nova frente que já não envolve apenas o clube e a Premier League. A Etihad, principal patrocinadora dos citizens e empresa que dá nome ao estádio, rejeita qualquer envolvimento em acordos comerciais impróprios e está a procurar aconselhamento jurídico para avaliar medidas contra a organização que dirige o campeonato inglês.
A reação atinge diretamente uma das matérias centrais do processo. A comissão concluiu que o City utilizou contratos comerciais fictícios com diferentes parceiros para inflacionar receitas e que parte das verbas apresentadas como patrocínio era, na realidade, financiada pelo proprietário do clube. A decisão publicada é redigida de forma parcial e não identifica a Etihad pelo nome nessas conclusões, mas a companhia considera que a descrição e a comunicação pública do caso criaram implicações prejudiciais para a sua reputação.
A empresa sustenta ainda que nunca foi contactada pela comissão durante a investigação, não recebeu oportunidade para entregar informação relevante e não pôde responder a elementos que pudessem afetar o seu nome. A Etihad considera por isso que precisa de avaliar os meios jurídicos disponíveis para proteger os próprios interesses.
A posição não significa uma rutura com o Manchester City. Pelo contrário, a companhia reafirma a continuidade dos acordos e o apoio ao clube enquanto este contesta a decisão. A relação comercial remonta a 2009 e tornou a marca inseparável da identidade moderna do City: o nome Etihad está na camisola, no estádio e numa das parcerias mais reconhecíveis do futebol inglês.
É precisamente essa proximidade que torna esta reação mais importante do que uma simples declaração de solidariedade. Os mecanismos de patrocínio são uma das bases da decisão contra o City e um parceiro comercial central afirma agora que não participou em qualquer esquema impróprio, que não foi ouvido e que a forma como o processo foi divulgado lhe causou dano.
O caso deixa assim de ter apenas duas partes. O Manchester City prepara o recurso contra a comissão, enquanto uma empresa ligada ao núcleo comercial analisado começa a estudar uma ação própria contra a Premier League. Uma investigação destinada a esclarecer as contas de um clube passa a poder gerar também uma disputa sobre a forma como foram tratados os parceiros utilizados nessas mesmas contas.















