Liga Portugala Jornada08
9–12 de outubro de 2026

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Decisão contra o City reforça pedidos de indemnização que clubes já estudam

A possibilidade de reclamar prejuízos deixou de assentar apenas numa acusação: uma comissão deu agora como provadas infrações financeiras durante nove épocas. Cada clube terá, contudo, de demonstrar o dano sofrido e a ligação entre esse prejuízo e a vantagem obtida pelo City.

O Manchester City pode vir a enfrentar uma segunda fatura para além do castigo imposto pela Premier League. Clubes ingleses já procuram avaliar se as infrações agora dadas como provadas lhes causaram prejuízos económicos ou competitivos suficientes para fundamentar pedidos de indemnização.

A publicação da decisão altera a base dessa discussão. Quando os primeiros movimentos jurídicos começaram, existia informação de que a maioria das acusações teria sido considerada provada, mas a Premier League ainda não tinha divulgado a conclusão da comissão. Agora existe uma decisão formal: o City utilizou acordos comerciais fictícios, apresentou contas incorretas, ultrapassou significativamente limites financeiros e ocultou o verdadeiro estado das suas finanças durante um período de nove temporadas. O clube contesta integralmente essas conclusões e vai recorrer.

Mesmo que a decisão sobreviva ao recurso, uma infração do City não transforma automaticamente todos os rivais em credores. Um clube que reclame compensação terá de demonstrar um prejuízo próprio, quantificá-lo e estabelecer uma relação suficientemente direta entre esse dano e a vantagem competitiva proporcionada pelas infrações. Uma posição perdida na tabela, uma qualificação europeia falhada ou uma despromoção podem envolver valores muito diferentes e exigem prova própria.

O futebol inglês dispõe já de um precedente importante. O Burnley obteve uma decisão que obrigava o Everton a pagar 35 milhões de libras por prejuízos associados a violações das regras de sustentabilidade, embora esse processo continue sujeito a recurso. O caso mostrou que as regras financeiras podem produzir consequências entre clubes e não apenas uma sanção aplicada pela organização da competição.

A escala do Manchester City torna o problema potencialmente muito maior. As infrações abrangem várias épocas e coincidem com o período em que o clube passou a disputar regularmente títulos, qualificações europeias e prémios elevados. Isso amplia o número de equipas que podem considerar ter perdido receitas ou oportunidades, mas também torna mais complexa a demonstração de que determinado resultado teria sido diferente sem as violações financeiras.

As indemnizações constituem, portanto, uma frente distinta do castigo. A comissão pode punir o City por quebrar as regras da Premier League; os rivais terão de provar separadamente o que perderam por causa dessas infrações. O recurso do clube continua ainda a poder alterar a própria base sobre a qual essas reclamações seriam construídas.

O processo que começou por perguntar se o Manchester City cumpriu as regras financeiras pode assim acabar por produzir uma questão muito mais extensa: não apenas quanto deverá o clube pagar pelo que fez, mas quantos outros clubes conseguem demonstrar que também pagaram um preço.