A publicação da decisão sobre as infrações financeiras do Manchester City resolveu uma parte do processo e abriu imediatamente duas novas. A comissão independente considera provadas todas as acusações relacionadas com as violações financeiras mais graves e a maioria das relativas à falta de cooperação. Falta agora decidir o castigo e saber se essas conclusões sobrevivem ao recurso que o clube já anunciou.
O primeiro prazo termina na sexta-feira, 2 de outubro. Até essa data, o City pode formalizar o recurso contra uma decisão que considera errada em matéria de direito, princípio e facto. Esse recurso será apreciado por um painel diferente, com poderes para manter, alterar ou anular conclusões da comissão. O clube insiste que é inocente e promete utilizar todos os mecanismos regulatórios e judiciais que estiverem disponíveis.
Em paralelo existe a questão da sanção. A decisão publicada estabelece a responsabilidade, não o castigo. A comissão realizará uma audiência própria para determinar as consequências e esse procedimento permanecerá confidencial até que a divulgação seja autorizada. As regras concedem uma margem ampla: podem existir multas, deduções de pontos e outras sanções desportivas, chegando no limite à possibilidade de exclusão da Premier League.
Não existe, porém, uma correspondência automática entre a dimensão financeira encontrada e um determinado número de pontos ou uma divisão para a qual o City seria enviado. A comissão terá de determinar uma pena adequada às infrações que considerou provadas. Entre os elementos que tornam o caso excecional estão os nove anos de duração, a dimensão superior a 900 milhões de libras atribuída aos mecanismos financeiros, a conclusão de que existiu intenção de contornar as regras e as violações do dever de cooperação durante a investigação.
É por isso que os exemplos anteriores têm utilidade limitada. Outros clubes já sofreram deduções de pontos por incumprimentos financeiros, mas esses processos não reuniam simultaneamente a duração, a escala, a ocultação e a falta de cooperação agora descritas. Também não existe ainda uma decisão que permita afirmar que o City será despromovido, expulso ou perderá títulos.
A Premier League pretende concluir rapidamente o processo, incluindo os recursos, mas não anunciou uma data para o desfecho. Depois de oito anos de investigação e procedimentos e de uma audiência de 42 dias, o caso chega assim a uma fase em que o essencial já não é imaginar castigos possíveis. É saber qual deles será efetivamente aplicado e se continuará de pé depois da contestação do City.















