O FC Porto-Benfica de 20 de setembro terminou 3-1 no relvado, mas o conflito institucional continuou depois do apito final. Três dias mais tarde, o Benfica apresentou ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol uma exposição organizada em quatro matérias distintas e pediu que fossem apuradas responsabilidades por acontecimentos ocorridos durante e depois do clássico.
A primeira frente incidiu sobre o comportamento de elementos ligados ao banco do FC Porto. O Benfica apontou gestos dirigidos à sua zona técnica e pediu que o órgão disciplinar avaliasse a atuação de intervenientes portistas no período de maior tensão entre as duas comitivas.
A segunda matéria envolveu Gabri Veiga. O clube encarnado alegou que o médio arremessou uma garrafa na direção do banco do Benfica e pediu uma apreciação disciplinar do episódio. A existência da participação não equivale a uma conclusão sobre a infração: essa qualificação pertence ao clube queixoso até existir decisão do órgão competente.
A terceira frente deslocou o conflito para a própria organização do espetáculo. O Benfica contestou a utilização da sonorização do Estádio do Dragão enquanto os seus adeptos permaneciam no recinto, incluindo a reprodução de «Doidas Andam as Galinhas», e chegou a pedir que fosse avaliada a possibilidade de interdição do estádio.
A quarta questão incidiu sobre imagens do banco do Benfica captadas e posteriormente divulgadas pelo Porto Canal. A exposição pretendeu que fosse esclarecido o enquadramento da captação e utilização dessas imagens e se existia matéria disciplinar associada à sua divulgação.
No dia seguinte à apresentação da exposição, o Conselho de Disciplina divulgou sanções sumárias relacionadas com o clássico. Essas decisões não devem ser confundidas automaticamente com uma resposta às quatro matérias levantadas pelo Benfica: resultaram também dos relatórios oficiais do encontro e abrangeram comportamentos do público, a expulsão de Clément Lenglet e outras ocorrências registadas no jogo.
O FC Porto foi multado em mais de 26 mil euros por diferentes infrações associadas ao comportamento dos seus adeptos, incluindo arremesso de objetos, pirotecnia e cânticos. O Benfica recebeu uma multa de 9.560 euros pelo uso de engenhos pirotécnicos no setor visitante e Lenglet foi suspenso por um jogo na sequência da expulsão. O enquadramento de Ricardo Rocha ficou, nesse momento, a aguardar esclarecimentos.
O mapa disciplinar registou ainda a abertura de um processo ao FC Porto relacionado com o clássico, sem tornar público nesse momento todo o seu objeto. Isso significa que a primeira vaga de sanções não encerrou o rescaldo disciplinar do jogo.
O dossier ganhou depois uma quinta frente. Novas imagens do período de compensação levaram o Benfica a avançar também contra Samu, por um contacto com Alexander Bah que não tinha originado sanção para o avançado durante a partida. A participação foi posteriormente formalizada junto do Conselho de Disciplina, com o clube a pedir castigo para o jogador.
Até 1 de outubro não existe uma decisão pública final sobre essa participação contra Samu, nem uma conclusão pública que encerre as quatro matérias inicialmente apresentadas pelo Benfica. O estado atual é, por isso, mais preciso do que dizer simplesmente que o clássico já teve castigos: algumas consequências disciplinares estão fechadas, enquanto outras continuam sob apreciação.
O 3-1 decidiu os pontos da sétima jornada. Não decidiu ainda todas as consequências institucionais do jogo. Entre multas já aplicadas, um processo disciplinar aberto e participações ainda sem decisão pública, o clássico continua formalmente para lá do Dragão.















