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Sporting volta a deixar fugir pontos e Santa Clara já não cabe na surpresa

Açorianos chegaram aos 14 pontos e igualaram os leões, que voltaram a perder uma vantagem. FC Porto e Benfica tiveram de virar jogos difíceis e o Braga precisou de esperar quase até ao fim para encontrar a vitória.

O Santa Clara terminou a sexta jornada com os mesmos 14 pontos do Sporting e sem uma derrota. À frente estão apenas FC Porto, com 18, e Benfica, com 16. A surpresa existe porque dificilmente os açorianos entrariam nas previsões para este lugar da classificação. O que começa a desaparecer é a possibilidade de explicar a posição apenas pela surpresa.

Em Arouca, a equipa de Petit voltou a apresentar argumentos. Gonçalo Paciência marcou o primeiro, Djé Tavares fez o segundo depois de já ter assistido o avançado e o Santa Clara soube proteger a vantagem quando Barbero reduziu no início da segunda parte. Nem a expulsão tardia de Sorriso alterou o resultado. Houve organização, capacidade para aproveitar os melhores momentos e resistência quando o jogo mudou.

São características que se repetem. Quatro vitórias, dois empates, onze golos marcados e quatro sofridos não fazem do Santa Clara candidato a nada que seis jornadas possam ainda definir. Fazem, porém, com que seja necessário olhar para ele como mais do que uma equipa a aproveitar um bom calendário ou uma sequência favorável. Está no topo porque tem jogado para estar lá.

A comparação mais imediata é precisamente com o Sporting.

Os leões também continuam invictos, mas voltaram de Famalicão com o segundo empate do campeonato e novamente depois de terem estado em vantagem. Luis Suárez marcou de penálti aos 81 minutos, o Famalicão ficou reduzido a dez e, ainda assim, encontrou o 1-1 aos 90+1, num autogolo de Gonçalo Inácio.

O problema não está apenas nos dois pontos perdidos. Está na repetição. Na primeira jornada, o Sporting também tinha deixado escapar uma vantagem diante do Estrela da Amadora. Em Famalicão voltou a chegar ao período decisivo com o resultado que pretendia e voltou a não o conservar.

É uma diferença importante num campeonato em que FC Porto, Benfica, Sporting, Santa Clara e Estrela ainda não perderam. A invencibilidade, sozinha, diz pouco. O FC Porto tem 18 pontos porque ganhou seis vezes. O Sporting e o Santa Clara têm 14 porque empataram duas. O Estrela continua sem derrotas e tem dez porque já empatou quatro.

Não perder não é a mesma coisa que ganhar.

O FC Porto continua a fazer essa distinção melhor do que todos, embora o 4-1 frente ao Casa Pia esconda parte das dificuldades que encontrou em Rio Maior. Henrique Araújo colocou os gansos na frente aos 42 minutos e obrigou o líder a jogar pela segunda jornada consecutiva em desvantagem. André Silva empatou já nos descontos da primeira parte e só depois do intervalo a superioridade portista se transformou no marcador: Kiwior completou a reviravolta, Borja Sainz ampliou e Santiago Gimenez fechou o resultado.

O 4-1 parece uma goleada tranquila. O jogo não foi isso durante demasiado tempo para ser contado dessa maneira.

Também o Benfica precisou de resolver tarde aquilo que o resultado final de 3-1 pode simplificar. Héctor Hernández marcou aos sete minutos para o Gil Vicente, Pavlidis empatou aos 29 e a igualdade chegou aos minutos finais. Só aos 87, de grande penalidade, o avançado grego colocou os encarnados na frente. Prestianni fez o terceiro aos 90+3.

FC Porto e Benfica ganharam, portanto, como precisam de ganhar equipas que querem ser campeãs: mesmo quando o jogo lhes coloca problemas que não estavam no plano. Mas ambos precisaram de reagir a uma desvantagem e nenhum encontrou uma vitória confortável desde o princípio.

Há uma diferença entre dificuldade e fragilidade. Nesta jornada, Porto e Benfica tiveram a primeira e superaram-na. O Sporting teve a vitória ao alcance e deixou-a fugir.

O Braga oferece outra variação da mesma ideia.

A equipa de Carlos Vicens chegava ao jogo com o Estoril depois da derrota por 2-1 frente ao Estrela da Amadora, a meio da semana. Esperava-se uma resposta clara. Não apareceu.

A primeira parte terminou com assobios na Pedreira. O Estoril não se limitou a defender, ameaçou a baliza de Bernardo Fontes e voltou a fazê-lo no início da segunda parte. Ferro foi depois expulso e alterou as condições do encontro. Mesmo em superioridade numérica, o Braga precisou de esperar até perto do fim para encontrar o golo. Jonas Wind, lançado a partir do banco, recebeu de Gorby, rodou na área e decidiu o 1-0.

O Braga ganhou e precisava muito de ganhar. Mas o resultado resolve a classificação antes de resolver as dúvidas. Depois de perder com o Estrela, esteve novamente demasiado perto de deixar pontos diante de uma equipa que ainda procura a primeira vitória no campeonato.

A jornada teve mais histórias que ajudam a perceber como a Liga está a ganhar profundidade.

O Alverca foi à Choupana conseguir a primeira vitória, e fê-lo de forma quase brutal num intervalo de oito minutos. Francisco Chissumba marcou aos 34, Dawda Camara aos 36 e voltou a marcar aos 42. O Nacional reagiu depois do intervalo, mas já perseguia três golos.

Em Viseu, o Académico voltou a mostrar que a adaptação à I Liga não passa apenas por sobreviver. Lorougnon Gohi colocou os viseenses na frente, Gonçalo Nogueira empatou para o Vitória e Mohamed Bouldini decidiu aos 90+3. O Vitória rematou mais, criou e voltou a sair sem aquilo que procurava. Aos seis jogos já são quatro derrotas, uma diferença demasiado grande entre competir e pontuar.

Em Vila do Conde houve o jogo mais descontrolado da jornada. O Estrela esteve três vezes na frente e o Rio Ave respondeu três vezes. Stoica marcou o primeiro, Abraham Marcus bisou e Petrasso, Galcík e Blesa construíram o 3-3. O Estrela continua sem perder, mas voltou a descobrir o outro lado dessa condição: quatro empates em seis jornadas deixam oito pontos pelo caminho mesmo quando ninguém consegue vencê-lo.

O Moreirense também encontrou uma resposta depois de duas derrotas. Manuel Mendonça e Leonardo Vonic deram-lhe dois golos de vantagem sobre o Marítimo ainda na primeira parte; Romain Correia reduziu, mas Parsemain respondeu e fixou o 2-1. Para os madeirenses foi a terceira derrota consecutiva depois de um começo de campeonato que sugeria outra estabilidade.

A sexta jornada deixou, por isso, uma classificação mais interessante do que uma simples fila atrás do FC Porto.

O líder ganhou os seis jogos, mas já teve de recuperar duas vezes seguidas. O Benfica segue dois pontos atrás e também precisou de virar. O Sporting continua invicto, mas já deixou quatro pontos em jogos que esteve a vencer. O Santa Clara tem exatamente os mesmos pontos e, ao contrário do que a etiqueta de surpresa pode sugerir, começa a apresentar razões futebolísticas para permanecer ali. O Estrela ainda não perdeu e mostra como a mesma invencibilidade pode produzir classificações muito diferentes.

O campeonato continua demasiado jovem para oferecer sentenças.

Já tem, porém, matéria suficiente para abandonar algumas facilidades.

O Sporting voltou a deixar fugir pontos.

E o Santa Clara continua ao lado dele porque já fez demasiado para estar ali por acaso.