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Ewerton volta a resistir, Djé desequilibra e Dawda bisa: o onze da sexta jornada

Alverca, Benfica, Santa Clara e Estrela colocam dois jogadores num 3-4-3 que reúne sete clubes. O guarda-redes do Académico repete a presença da ronda anterior e seis escolhidos participaram diretamente em dois golos.

Ewerton; Víctor Rofino, Jakub Kiwior e Pedro Pacheco; Diogo Spencer, Djé Tavares, Gianluca Prestianni e Ianis Stoica; Dawda Camara, Vangelis Pavlidis e Abraham Marcus.

É este o onze da sexta jornada da Liga.

O desenho volta a ser um 3-4-3, mas a semelhança com a equipa da ronda anterior termina praticamente aí. Desta vez, vários dos desempenhos mais influentes concentraram-se em equipas que precisaram de reagir, resistir ou transformar períodos muito curtos do jogo em vantagem.

Na baliza há uma repetição.

Ewerton tinha entrado na equipa da quinta jornada depois de suportar os 34 remates do Gil Vicente e proteger durante 86 minutos uma vantagem mínima. Uma semana depois, o contexto mudou, mas voltou a ser determinante.

O Vitória rematou 22 vezes no Fontelo, sete à baliza. Ewerton fez seis defesas e permitiu ao Académico permanecer dentro de um jogo que teve longos períodos de maior iniciativa vimaranense.

Gohi colocou os viseenses na frente, Gonçalo Nogueira empatou e o encontro entrou nos últimos minutos ainda aberto. Quando Bouldini apareceu aos 90+3 para fazer o 2-1, tudo aquilo que Ewerton tinha evitado durante a noite passou a ter consequência.

Há golos que ganham jogos.

Também precisam que alguém os mantenha por ganhar até acontecerem.

Víctor Rofino entra à direita da defesa.

O Famalicão passou grande parte da segunda parte contra um Sporting instalado no seu meio-campo, terminou o encontro com apenas 32 por cento de posse e enfrentou 16 remates. Não foi uma exibição defensiva sem falhas. Foi uma exibição de resistência.

Rofino esteve no centro dessa resistência.

O Sporting encontrou espaços, criou ocasiões e chegou finalmente à vantagem aos 81 minutos, mas nunca conseguiu transformar o domínio num jogo controlado. Mesmo depois da expulsão de Beney, o Famalicão ainda encontrou o empate e sobreviveu ao assalto final leonino.

Marcos Peña foi importantíssimo à frente da defesa e Carevic apareceu quando foi necessário. Rofino fica neste onze porque deu consistência à zona onde o Sporting mais vezes procurou entrar e ajudou a manter o resultado ao alcance até ao último minuto.

No centro está Jakub Kiwior.

O 4-1 do FC Porto em Rio Maior conta apenas parte da história. O Casa Pia marcou primeiro, rematou cinco vezes à baliza e obrigou Diogo Costa a trabalhar mais do que o resultado final permite imaginar.

O FC Porto empatou antes do intervalo por André Silva.

Kiwior tratou de mudar o sentido do marcador.

Aos 60 minutos apareceu na área para fazer o 1-2 e colocar pela primeira vez o líder na frente. Depois, continuou a oferecer aquilo que já começa a tornar-se estrutural na equipa de Francesco Farioli: segurança na circulação, capacidade para jogar para a frente e qualidade suficiente para transformar um central num primeiro construtor.

Num jogo em que o FC Porto precisou de virar, Kiwior não se limitou a defender a reviravolta.

Marcou-a.

Pedro Pacheco completa o trio.

O Santa Clara fez em Arouca uma primeira parte que explica muito do lugar que ocupa no campeonato e uma segunda que explica outro tanto.

Antes do intervalo, soube atacar. Depois dele, teve de saber sofrer.

Pedro Pacheco esteve nos dois jogos dentro do mesmo jogo.

Foi dele o passe que permitiu a Djé Tavares fazer o 0-2 e, quando Barbero reduziu logo no início da segunda parte, passou a pertencer a uma defesa empurrada progressivamente para trás pelo Arouca.

O Santa Clara teve apenas 36 por cento de posse, mas não perdeu a organização. Pacheco cortou, protegeu a área e ajudou a conservar uma vantagem que passou quase toda a segunda parte ameaçada.

A assistência conta.

Os minutos seguintes também.

Diogo Spencer abre o meio-campo.

O Alverca precisou de oito minutos para praticamente decidir na Choupana a primeira vitória deste campeonato.

Spencer precisou de ainda menos para deixar a sua assinatura.

Chissumba abriu o marcador aos 34 minutos. Dois minutos depois, Spencer serviu Dawda Camara para o 0-2. Aos 42, voltou a encontrar o avançado e nasceu o terceiro.

Duas assistências no intervalo em que o Nacional deixou de estar num jogo equilibrado e passou a perseguir uma diferença de três golos.

O Alverca não dominou toda a partida nem precisou de o fazer. Reconheceu um período de desorganização adversária e atacou-o sem hesitar.

Spencer foi o acelerador desse momento.

Ao lado está Djé Tavares.

Há jogadores que entram num onze da jornada por um momento. Djé entra por ter estado em praticamente todos os momentos importantes do Santa Clara enquanto esteve em campo.

Aos 22 minutos encontrou Gonçalo Paciência para o primeiro golo. Aos 37 apareceu ele próprio em zona de finalização e fez o segundo.

Uma assistência e um golo seriam suficientes para tornar a candidatura evidente. O resto da exibição explica por que razão é mais do que uma soma estatística.

Djé deu pernas ao meio-campo, pressionou, apareceu por dentro e por fora e ofereceu ao Santa Clara uma ligação constante entre recuperação e ataque. Saiu aos 62 minutos, já com o Arouca a empurrar os açorianos para trás.

O trabalho estava feito.

O jogo ainda não.

Prestianni ocupa o corredor esquerdo.

O Benfica começou a perder aos sete minutos e passou grande parte da noite a tentar desmontar um Gil Vicente que nunca lhe ofereceu uma vitória tranquila.

Pavlidis empatou ainda na primeira parte, mas o 1-1 resistiu até aos 87 minutos.

Nesse período de procura, Prestianni foi o jogador encarnado que mais vezes tentou quebrar o jogo através da aceleração e da iniciativa individual. Nem tudo resultou. O importante é que nunca deixou de procurar o desequilíbrio.

Quando o Benfica finalmente passou para a frente, o argentino ainda teve tempo para fechar a partida.

Aos 90+3 fez o 3-1.

O resultado ganhou conforto no marcador apenas quando o jogo já praticamente não tinha tempo para voltar a complicar-se.

Prestianni ajudou a criá-lo.

Ianis Stoica fecha o meio-campo.

O Estrela esteve três vezes em vantagem em Vila do Conde e Stoica participou diretamente em duas delas.

A primeira foi sua. Aos 21 minutos atacou a profundidade pela esquerda e fez o 0-1.

A terceira nasceu dos seus pés. Aos 61, já depois de o Rio Ave ter respondido duas vezes, encontrou Abraham Marcus para o 2-3.

Entre um momento e outro, continuou a ser uma das principais formas de o Estrela transformar posse em aceleração. A equipa de Pepa não conseguiu conservar nenhuma das três vantagens, mas isso não apaga a influência individual de quem construiu duas.

Tal como aconteceu na jornada anterior com jogadores de equipas que não venceram, o resultado não pode ser o único critério.

Stoica fez demasiado para ficar de fora por causa dele.

Na frente, Dawda Camara ocupa um dos lados.

A primeira vitória do Alverca começou com Chissumba.

Foi Dawda quem a tornou muito difícil de recuperar.

O avançado marcou aos 36 e aos 42 minutos, transformando o 0-1 num 0-3 antes de o Nacional conseguir perceber inteiramente aquilo que lhe estava a acontecer.

Dois golos em seis minutos.

Não houve necessidade de uma grande quantidade de ações para produzir uma influência enorme. O Alverca encontrou espaço, Spencer encontrou Dawda e Dawda não desperdiçou.

O Nacional ainda reduziu na segunda parte.

O estrago já estava feito.

No centro está Pavlidis.

O Benfica precisou dele duas vezes e por razões diferentes.

A primeira foi aos 29 minutos. Héctor Hernández tinha colocado o Gil Vicente na frente e a Luz começava a perceber que o jogo não seguiria o percurso esperado. Pavlidis devolveu a igualdade e impediu que a desvantagem se prolongasse.

A segunda apareceu aos 87.

Desta vez de grande penalidade.

O penálti não tem, por si só, o mesmo peso de um golo construído em jogo corrido. Mas a escolha de Pavlidis não depende apenas desse lance. O grego marcou o golo que recolocou o Benfica no jogo e assumiu depois a responsabilidade de fazer aquele que finalmente o colocou na frente.

Dois golos.

Um para corrigir o início.

Outro para resolver o fim.

Abraham Marcus completa o ataque.

O Estrela marcou três vezes em Vila do Conde.

Duas foram dele.

Marcus fez o 1-2 aos 53 minutos, pouco depois de Petrasso ter levado o 1-1 para o intervalo. Três minutos depois, Galcík voltou a empatar.

O avançado não precisou de esperar muito para responder outra vez.

Aos 61 apareceu para finalizar a jogada construída por Stoica e recolocou o Estrela na frente.

O Rio Ave ainda chegaria ao 3-3, mas a incapacidade coletiva para guardar a vantagem não diminui aquilo que Marcus produziu dentro da área.

Num jogo de seis golos, foi o único jogador a marcar dois.

Gonçalo Paciência, Sergi Altimira, Marcos Peña, Lucas França, Jan Bednarek, Gabri Veiga, André Silva, Bouldini, Jonas Wind, Manuel Mendonça, Leonardo Vonic e Pancho Petrasso ficaram perto.

Paciência marcou e deu ao Santa Clara uma referência de enorme importância enquanto os açorianos conseguiram jogar mais longe da própria baliza. Lucas França apareceu depois, quando o trabalho passou a ser outro.

Altimira foi provavelmente o jogador mais consistente do Sporting em Famalicão, mas o domínio leonino não se transformou em controlo suficiente para lhe dar vantagem sobre os médios escolhidos. Do outro lado, Marcos Peña foi uma das razões pelas quais o Famalicão nunca se desfez perante esse domínio.

Bednarek voltou a ser muito seguro em Rio Maior, Gabri Veiga participou na construção da reviravolta e André Silva marcou no momento mais importante da primeira parte: já nos descontos, imediatamente depois de o Casa Pia se ter adiantado.

Bouldini e Jonas Wind têm casos particularmente semelhantes.

Entraram e decidiram.

Bouldini precisou de praticamente um lance para devolver ao Académico uma vitória em casa na I Liga 37 anos depois. Wind saiu do banco para desbloquear um Braga-Estoril que permanecia preso perto do fim.

O impacto foi máximo.

O tempo para construir uma exibição foi mínimo.

Mendonça e Vonic deixaram o Moreirense com dois golos de vantagem ainda na primeira parte frente ao Marítimo. Petrasso marcou quando o Rio Ave mais precisava, no último lance antes do intervalo, e ajudou uma equipa que esteve três vezes atrás a nunca abandonar o jogo.

Todos têm argumentos.

Os onze escolhidos tiveram um pouco mais.

A equipa da Jornada 06 é esta: Ewerton; Víctor Rofino, Jakub Kiwior e Pedro Pacheco; Diogo Spencer, Djé Tavares, Gianluca Prestianni e Ianis Stoica; Dawda Camara, Vangelis Pavlidis e Abraham Marcus.

Sete clubes.

Onze jogadores.

Seis deles participaram diretamente em pelo menos dois golos.

E o único que repete presença não marcou nenhum.

Voltou apenas a impedir que os outros marcassem.