O Marítimo começou por ter mais bola, mais território e maior iniciativa, mas o Moreirense precisou de muito menos para começar a ganhar e nunca mais largou o controlo do resultado. Manuel Mendonça e Leonardo Vonic marcaram antes da meia hora, Romain Correia ainda devolveu alguma esperança aos madeirenses já na fase final e Parsemain respondeu quase imediatamente de grande penalidade, fixando o 3-1 que deu aos cónegos a primeira vitória caseira da temporada.
As duas equipas chegavam pressionadas por duas derrotas consecutivas e separadas por apenas três pontos. O Marítimo entrou melhor, com Guzzo a dar critério à circulação e a equipa de Mitchell van der Gaag a instalar-se durante largos períodos no meio-campo adversário, mas esse domínio territorial nunca se traduziu na mesma qualidade quando chegou o momento de decidir.
O Moreirense mostrou exatamente o contrário.
Na primeira aproximação verdadeiramente perigosa à baliza de Alfonso Pastor, Manuel Mendonça encontrou espaço para marcar e estreou-se a faturar na Liga. O golpe teve efeito imediato sobre um Marítimo que até aí parecia confortável, mas que perdeu segurança depois de ficar em desvantagem.
Pouco depois chegou o segundo. Vonic, cedido pelo FC Porto e a fazer a estreia pelos cónegos, também escolheu aquela noite para marcar pela primeira vez no principal escalão. A equipa de Vasco Botelho da Costa tinha duas oportunidades transformadas em dois golos e uma vantagem que alterou por completo a relação de forças.
O Marítimo continuou a ter bola, mas passou a jogar contra o resultado e contra a própria ansiedade. A posse tornou-se previsível, o Moreirense baixou sem se desorganizar e chegou ao intervalo com uma vantagem demasiado confortável para aquilo que os insulares tinham produzido territorialmente.
A segunda parte não mudou logo o cenário. Ayuma teve de evitar praticamente sobre a linha o terceiro golo e Landerson voltou a aproximar os minhotos de uma vantagem ainda mais larga. O Moreirense já não precisava de perseguir o jogo: bastava-lhe impedir que o adversário encontrasse espaço e escolher os momentos para atacar.
Romain Correia conseguiu finalmente reduzir e deu ao Marítimo uma possibilidade tardia de discutir o resultado, mas a reação morreu quase antes de começar. Parsemain conquistou uma grande penalidade e assumiu a cobrança para fazer o 3-1.
A arbitragem de Fábio Melo não ocupou o centro da partida. O penálti que decidiu definitivamente o encontro não surge acompanhado de controvérsia relevante nos relatos disponíveis e, sobretudo, apareceu quando a superioridade do Moreirense nos momentos decisivos já estava construída.
Os cónegos interromperam a sequência de derrotas, venceram pela primeira vez em casa e alcançaram o Marítimo em pontos. Para os madeirenses, a consequência é mais incómoda: a terceira derrota consecutiva confirma que o bom início já deu lugar a uma fase em que ter bola e iniciativa deixou de chegar.
O Moreirense não dominou todos os minutos.
Dominou aqueles em que o jogo realmente se decidiu.















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