Chris Smalling chegou ao FC Porto com uma ideia muito concreta daquilo que espera encontrar: um clube em que a exigência é ganhar. Aos 36 anos e depois de uma carreira construída entre Inglaterra, Itália e Arábia Saudita, o defesa-central apresenta a experiência como principal contributo para uma equipa que já vinha a competir num nível elevado e que pretende manter-se na luta por todas as provas.
A decisão de aceitar o FC Porto terá sido rápida quando a possibilidade se tornou concreta. Smalling conta que uma conversa de cerca de dez minutos com Francesco Farioli foi suficiente para perceber de que forma o treinador o via, aquilo que poderia acrescentar e por que razão o clube queria contratá-lo. A sensação de ser efetivamente desejado eliminou outras hipóteses e transformou a mudança para Portugal na prioridade.
O inglês não chegou completamente sem referências. No Al-Fayha trabalhou com Pedro Emanuel, antigo capitão portista, e acompanhou com o treinador português vários encontros do FC Porto. Essa relação permitiu-lhe conhecer parte da cultura competitiva do clube antes de aterrar na cidade. A visita imediata ao estádio e aos troféus reforçou uma imagem que já trazia: a dimensão histórica do Porto está associada à obrigação de disputar títulos.
Smalling assume precisamente essa linguagem. Diz chegar «com fome», preparado para competir diariamente e consciente de que uma equipa campeã passa a ser o adversário que todos querem derrotar. Não reivindica um lugar no onze através do currículo e coloca a prioridade na adaptação rápida às dinâmicas de Farioli, numa época em que a sucessão de jogos nacionais e europeus exigirá profundidade no plantel.
A camisola 6 surgiu quase como uma escolha natural. Smalling já utilizou esse número anteriormente, assim como o 5, e interpretou o facto de estar disponível como mais um sinal de encaixe. O número é um detalhe; o papel que pretende assumir é menos simbólico. Quer transportar para o campo experiência de contextos competitivos diferentes e acrescentar liderança a uma defesa que terá de responder de três em três dias.
Há uma diferença entre conhecer a história de um clube e conseguir entrar nela. Smalling já conhecia parte da primeira através de Pedro Emanuel e das muitas épocas em que acompanhou o FC Porto à distância. A segunda começa agora. E foi precisamente essa possibilidade que, segundo o central, fez desaparecer as outras opções quando o Porto passou de contacto a oportunidade real.















