Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr, terá estado presente na reunião de terça-feira entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo em Copenhaga, quando selecionador e capitão procuraram resolver o conflito provocado pela não utilização do avançado frente à Noruega. A informação acrescenta um terceiro participante a uma conversa cujo conteúdo ganhou importância depois de o entendimento aparentemente alcançado durar menos de um dia.
Não terá estado nessa reunião Pedro Proença nem outro dirigente da Federação Portuguesa de Futebol. Jesus e Ronaldo já tinham mantido contactos informais ao longo do dia e avançaram depois para uma conversa destinada a esclarecer a situação. Simão Coutinho terá acompanhado esse encontro e ouvido diretamente aquilo que ambos estabeleceram.
A presença é relevante porque as versões posteriores sobre o que ficou combinado não coincidem integralmente. O dado seguro é que, depois da reunião, existia a indicação de que o problema estava ultrapassado. Na quarta-feira, Jorge Jesus apresentou publicamente a sua leitura da gestão de Ronaldo, reiterou que a utilização de qualquer jogador depende das necessidades do jogo e reafirmou que nenhuma figura altera as decisões do treinador.
Foi depois dessa conferência que Ronaldo voltou a considerar o entendimento quebrado e decidiu abandonar o estágio. O próprio capitão ligou temporalmente a saída às declarações do selecionador e a uma conversa posterior com Pedro Proença, prometendo explicar mais tarde as razões completas.
Simão Coutinho não é, por isso, importante por ocupar um cargo no Al Nassr ou pela proximidade profissional a ambos. É importante porque terá testemunhado a conversa privada imediatamente anterior à rutura pública. Isso não transforma a sua presença numa confirmação automática de qualquer das versões que circulam sobre o que foi prometido, pedido ou aceite nessa reunião.
Até que os protagonistas revelem o conteúdo, permanece uma diferença essencial entre aquilo que se sabe e aquilo que ainda é alegado. Sabe-se que Jesus e Ronaldo falaram e que o conflito pareceu resolvido. Há indicação de que Simão Coutinho assistiu ao encontro. O que ainda falta estabelecer é o conteúdo exato do entendimento que, algumas horas depois, deixou de existir.















