Liga Portugala Jornada08
9–12 de outubro de 2026

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

Salvador vê futebol português mais forte, mas diz que perdeu capacidade para construir consensos

Presidente do Braga compara as lideranças atuais com a geração de Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira e defende que os clubes precisam de voltar a pensar o setor numa perspetiva de dez anos.

António Salvador considera que o futebol português evoluiu significativamente em qualidade, infraestruturas e projeção internacional nas últimas duas décadas, mas perdeu parte da capacidade política para construir compromissos duradouros entre clubes. O presidente do Braga, há 23 anos no cargo, utilizou a própria longevidade para comparar duas gerações de dirigentes e defender uma mudança de horizonte na gestão do setor.

Salvador recordou um período em que partilhava reuniões com figuras como Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira, Valentim Loureiro, Carlos Pereira ou João Bartolomeu. Apesar das rivalidades e dos interesses diferentes, considera que existia maior facilidade para os responsáveis se sentarem à mesma mesa e assumirem compromissos comuns sobre matérias estruturais.

O cenário atual é, na sua leitura, mais fragmentado. Muitas SAD passaram a integrar estruturas empresariais mais complexas, algumas com gestores que não são necessariamente os decisores finais, e Salvador admite chegar hoje a reuniões da Liga sem conhecer pessoalmente vários dos responsáveis presentes. O dirigente sublinha que isso não significa que o novo modelo seja necessariamente pior, mas entende que tornou mais difícil construir acordos com continuidade.

Essa crítica não corresponde a uma visão nostálgica sobre o estado geral do futebol português. Pelo contrário, Salvador considera que o país melhorou na formação de jogadores e treinadores, nas infraestruturas e na capacidade de competir internacionalmente. Destacou o impacto de José Mourinho na projeção externa e recordou a presença regular de clubes portugueses em fases avançadas das competições europeias como demonstração do talento existente.

O problema, para o presidente bracarense, está sobretudo na ausência de planeamento coletivo para além da urgência de cada época. Depois de mais de duas décadas como dirigente, Salvador diz querer ser reconhecido não como o presidente mais antigo, mas como alguém capaz de modernizar o Braga e preparar o clube para aquilo que vem a seguir. É a mesma lógica que defende para o futebol nacional: menos decisões centradas no imediato e uma estratégia que permita saber onde se pretende estar daqui a dez anos.