Rui Costa decidiu não participar nos Portugal Football Globes e transformou a ausência num gesto simbólico de descontentamento com o estado atual do futebol português. O Benfica esteve representado pelos vice-presidentes Tomás Barroso e Mónica Sabrosa, enquanto o presidente encarnado optou por não marcar presença numa noite em que estiveram, entre outros dirigentes, Frederico Varandas e André Villas-Boas.
A decisão chega no rescaldo da derrota por 3-1 no Dragão. Depois do clássico, Rui Costa criticou aquilo que considera uma «dualidade de critérios» no plano disciplinar, embora tenha evitado centrar a contestação na expulsão de Lenglet. O dirigente admitiu que o defesa não podia arriscar uma ação daquela natureza depois de já ter sido advertido, mas apontou para vários lances em que jogadores portistas, na sua leitura, deveriam ter visto cartões.
O episódio de Prestianni foi um dos exemplos utilizados pelo presidente. O argentino terminou uma ação com sangue no rosto e acabou posteriormente sancionado por protestos, enquanto a falta anterior não recebeu o castigo disciplinar que Rui Costa considerava adequado.
A ausência da gala, contudo, vai além da arbitragem. O Benfica está também em conflito com o processo de centralização da venda dos direitos audiovisuais e promoveu uma petição para suspender e rever o atual modelo. O documento ultrapassou o número necessário de assinaturas para chegar à discussão parlamentar, reforçando uma divergência institucional que já vinha crescendo.
Rui Costa escolheu, assim, não partilhar o palco com vários responsáveis do futebol português numa noite de celebração promovida pela Federação. A cadeira vazia serviu como extensão de uma posição política e institucional do clube: o Benfica entende que existem problemas suficientemente relevantes para que a normalidade cerimonial não apague o conflito.















