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Navegação principal da época 2026/27.

Rui Borges viu «uma grande equipa», Buruk culpou a arbitragem e Torreira encontrou a derrota nos erros

Sporting e Galatasaray concordaram que o jogo mudou depois do intervalo, mas explicaram a mudança de forma diferente. Zalazar falou do livre que sentiu antes de ver entrar, Suárez manteve o foco na Liga e Quaresma esclareceu a indisposição que atrasou a segunda parte.

Rui Borges e Okan Buruk concordaram numa parte essencial da leitura do Sporting-Galatasaray: os turcos foram claramente melhores no início e os leões terminaram por controlar a segunda parte. Divergiram profundamente sobre aquilo que aconteceu entre esses dois momentos. O treinador sportinguista viu a equipa crescer, ganhar duelos e encontrar soluções para a pressão; o técnico do Galatasaray colocou na arbitragem, sobretudo no penálti do 2-1 e num possível vermelho a Altimira, uma intervenção que considera ter alterado o rumo do encontro.

Borges não procurou embelezar os primeiros 20 ou 25 minutos. Admitiu dificuldades para igualar a intensidade turca, passes falhados e pouca capacidade para ligar o jogo, mas valorizou a forma como a equipa ganhou confiança ainda antes do intervalo e chegou ao 1-1 sem permitir que o mau início se transformasse numa partida perdida.

A mensagem no balneário foi de calma e, nas palavras do treinador, uma espécie de «boas-vindas à Champions». Na segunda parte, o Sporting foi mais forte nos duelos individuais, recuperou melhor a bola e encontrou transições que já não apareciam com a mesma frequência no primeiro tempo. Para Borges, foi aí que a qualidade coletiva começou verdadeiramente a impor-se.

«Para grandes vitórias nesta competição são necessárias grandes equipas e hoje fomos uma grande equipa», resumiu.

O treinador destacou também a mobilidade ofensiva. Zalazar e Luís Guilherme mudaram zonas, Geny apareceu por dentro e Suárez atacou a profundidade, retirando referências a uma pressão do Galatasaray que funcionara muito melhor enquanto conseguia saber onde encontrar cada adversário.

Zalazar reconheceu precisamente essa dificuldade inicial. O uruguaio considerou que o Sporting começou com menos concentração do que precisava e foi compreendendo progressivamente como podia pressionar e atacar melhor, sobretudo quando começou a usar a velocidade de Luís Guilherme, Geny e Suárez nos espaços deixados atrás da equipa turca.

O momento individual da noite ficou-lhe reservado. Zalazar contou que, ainda antes de bater o livre do 3-1, estava convencido de que marcaria se conseguisse ultrapassar a barreira. Treina regularmente o gesto e conhece uma bola que, segundo explicou, permite bater com força e fazê-la descer rapidamente.

Nem chegou a vê-la entrar.

Sentiu que entraria.

O golo foi também uma resposta bem-humorada a Rui Borges, que antes do jogo lhe pedira mais do que os 16 marcados na época anterior. Zalazar saiu de Alvalade dizendo que já levava o primeiro.

Suárez teve outro protagonismo. Sofreu e converteu o penálti que colocou o Sporting na frente e chegou ao quarto jogo consecutivo a marcar, mas voltou a afastar qualquer discussão sobre objetivos pessoais. O colombiano considerou que a equipa entrou nervosa, cresceu com o passar dos minutos e voltou a colocar o campeonato acima de qualquer projeção europeia.

O próximo jogo é em Famalicão.

É aí que está o seu foco.

Eduardo Quaresma também saiu a falar da capacidade de crescimento da equipa, mas teve primeiro de esclarecer a imagem que atrasou o início da segunda parte. O central sentiu-se indisposto no balneário, tomou produtos que lhe foram dados e, já no relvado, avisou o árbitro de que precisava de vomitar. Recuperou e continuou em campo até aos 84 minutos.

A explicação sobre o jogo foi semelhante à de Borges: o Sporting demorou a igualar a intensidade do Galatasaray, começou depois a ganhar mais duelos e conseguiu controlar muito melhor a segunda parte. Quaresma voltou ainda à ideia de Alvalade como fortaleza e pediu que o apoio do estádio continue precisamente nos momentos em que a equipa não consegue dominar.

Do lado turco, Lucas Torreira falou menos da arbitragem e mais daquilo que o Galatasaray fez com o próprio jogo. Considerou que a equipa teve períodos de controlo, criou condições para sair de Lisboa com outro resultado e pagou demasiado caro os erros cometidos num nível em que a margem para os corrigir é muito menor.

Buruk foi bastante mais duro.

O treinador afirmou que Altimira devia ter sido expulso na primeira parte, classificou como inexistente o penálti assinalado sobre Suárez e considerou que as duas decisões tiveram influência direta no resultado. Ainda assim, não retirou responsabilidade à própria equipa: admitiu que o 2-1 provocou uma quebra de confiança que não podia ter acontecido e reconheceu que o Sporting passou depois a jogar melhor.

Essa talvez seja a ligação mais interessante entre as duas leituras.

Rui Borges ficou satisfeito porque o Sporting ganhou confiança dentro do jogo.

Buruk saiu frustrado porque o Galatasaray a perdeu.

Entre uma coisa e outra apareceram os golos que decidiram a noite.