Rui Borges encontrou num único minuto a explicação para os dois pontos deixados em Famalicão. O treinador do Sporting considerou que a equipa teve atitude, compromisso e controlo durante praticamente todo o encontro, mas deixou cair os níveis de agressividade precisamente no lance que produziu o 1-1. Maxi Araújo foi ainda mais direto: faltou «fome» para defender a vantagem até ao fim e, perante aquilo que as duas equipas fizeram, o empate acabou por ser justo.
«Temos de estar 98 minutos ligados à corrente», resumiu Rui Borges depois do jogo. O técnico recordou uma entrada forte nos primeiros 20 a 25 minutos, reconheceu alguma perda de paciência ainda durante a primeira parte e considerou que, depois do intervalo, o Sporting voltou a instalar-se no meio-campo contrário e criou situações suficientes para vencer.
O problema chegou quando parecia já ultrapassado o período de maior risco. Suárez colocou os leões na frente aos 81 minutos e a expulsão de Roméo Beney aos 87 deixou o Famalicão com dez jogadores, mas o Sporting baixou a intensidade num dos últimos ataques minhotos e acabou castigado pelo desvio de Gonçalo Inácio para a própria baliza.
«A única vez que fomos mais permissivos, fomos penalizados. Não pode acontecer numa equipa como o Sporting», afirmou Rui Borges, recusando transformar a arbitragem na explicação para o resultado.
Maxi Araújo também não procurou esconder a responsabilidade da equipa. O uruguaio reconheceu a qualidade do Famalicão, lamentou a incapacidade de proteger a vantagem e apontou igualmente o comportamento defensivo como uma área a melhorar. «Faltou essa fome para defendermos até ao último minuto», disse.
O lateral recusou, porém, dramatizar o impacto classificativo do empate. «Ainda falta muito campeonato», lembrou, defendendo que o resultado deve ser absorvido rapidamente para que a equipa se concentre no compromisso seguinte.
Entre figuras conhecidas do universo leonino, a leitura foi mais impaciente. Sousa Cintra considerou que uma equipa que quer ser campeã não pode perder dois pontos desta forma. Rita Garcia Pereira reconheceu o domínio do Sporting, mas apontou a falta de eficácia e a incapacidade para desmontar de forma mais consistente o bloco compacto do Famalicão. Vasco Lourenço juntou às críticas ofensivas as queixas sobre decisões de arbitragem.
As interpretações variam no peso atribuído ao árbitro ou à eficácia, mas há um ponto comum: o Sporting teve condições para sair de Famalicão com mais.
Rui Borges prefere colocar a responsabilidade dentro de casa.
Noventa e oito minutos significam, para o treinador, precisamente isso: o jogo só acaba quando já não existir um minuto em que a equipa possa desligar.















