Rui Alves reconheceu que a contratação de João Gião colocou frente a frente duas conceções diferentes sobre a construção de uma equipa e admitiu que essa incompatibilidade devia ter sido identificada antes de o treinador chegar ao Nacional. O presidente madeirense chegou mesmo a ponderar terminar a relação antes do início do campeonato, acabando por despedir o técnico após quatro jornadas.
A divergência não é apresentada como uma questão circunstancial de resultados. Rui Alves explica que o problema estava na própria forma de pensar a equipa: para o presidente, são as características dos jogadores disponíveis que devem determinar o sistema; para Gião, segundo a descrição feita pelo dirigente, o modelo tático surgia primeiro e condicionava depois a escolha dos jogadores.
«Devia ter acautelado esse conhecimento antes da contratação», reconheceu Rui Alves. A afirmação transfere parte da responsabilidade para quem tomou a decisão de contratar e revela que o conflito que levou à saída do treinador não nasceu apenas durante a competição. O Nacional começou a época maioritariamente num 3x4x2x1, rompendo com o 4x3x3 utilizado nos anos anteriores.
João Gião acabou despedido depois da derrota por 3-2 em casa frente ao Estrela da Amadora, na quarta jornada. Nessa altura, o Nacional tinha quatro pontos e ocupava o 11.º lugar. Alexandre Santos, escolhido para o substituir, perdeu os três primeiros encontros e a equipa continua com os mesmos quatro pontos, tendo descido para a 15.ª posição.
Apesar desse início, Rui Alves mantém a confiança no sucessor, destacando a serenidade e a personalidade de Alexandre Santos e dizendo que o novo treinador está mais próximo da sua própria visão. A mudança de técnico foi, assim, mais do que uma reação aos resultados: representou uma intervenção direta da presidência para alinhar novamente a equipa com o modelo de futebol que entende dever orientar o clube.















