A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de interferência nas nomeações da arbitragem profissional, num processo que volta a colocar no centro do caso Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, e Paulo Lopo, antigo presidente da SAD do Estrela da Amadora.
A investigação, revelada pelo Correio da Manhã e entretanto noticiada por vários órgãos de comunicação, analisa mensagens, áudios e outros elementos recolhidos na sequência das denúncias que já tinham provocado a demissão de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional de arbitragem.
Uma das suspeitas mais graves está relacionada com Hélder Malheiro. Segundo os relatos conhecidos, terá existido uma promessa de permanência do árbitro no quadro principal caso beneficiasse o Estrela da Amadora na luta pela manutenção. Estarão também sob análise contactos entre Paulo Lopo e Luciano Gonçalves e situações de conhecimento antecipado de nomeações.
As suspeitas permanecem, nesta fase, precisamente isso: matéria de investigação. Luciano Gonçalves nega qualquer ligação destinada a favorecer o Estrela e Paulo Lopo já tinha rejeitado anteriormente ter recebido informação privilegiada sobre árbitros.
O caso tem ainda uma particularidade institucional importante. O Conselho de Justiça da FPF abriu anteriormente um inquérito e acabou por arquivá-lo, considerando não existir prova suficiente para concluir que Luciano Gonçalves tivesse divulgado antecipadamente nomeações ou influenciado escolhas em benefício de clubes.
A passagem para a esfera criminal altera agora a dimensão do processo. O que internamente não chegou para sustentar responsabilidade disciplinar será analisado pelas autoridades judiciais a partir de um conjunto mais amplo de elementos.
Não há condenados nem conclusões finais.
Há uma investigação aberta sobre uma matéria que atinge diretamente a confiança no sistema de nomeação dos árbitros.















