Pedri e Francisco Trincão já pertenciam à primeira equipa do Barcelona, mas durante os primeiros dias ainda não se sentiam inteiramente autorizados a comportar-se como se pertencessem àquele lugar. Depois dos treinos, ficavam no ginásio a prolongar alongamentos e exercícios apenas para adiar a entrada num balneário ocupado por jogadores que até pouco tempo antes conheciam sobretudo pela televisão.
Os dois chegaram à equipa principal em 2020, ainda muito jovens, e encontraram Lionel Messi, Sergio Busquets, Gerard Piqué, Jordi Alba e outras referências de uma geração que tornava a normalidade quotidiana particularmente difícil para quem acabara de chegar.
Pedri contou agora que ele e Trincão faziam abdominais, voltavam a apertar as chuteiras ou simplesmente conversavam, tentando dar uma aparência normal à demora. A estratégia terminou quando Messi percebeu o que estava a acontecer, aproximou-se dos dois e levou-os para dentro, mostrando-lhes inclusivamente os respetivos lugares.
O espanhol recorda que ficaram como «dois cachorrinhos».
O episódio guarda valor precisamente por mostrar o lado menos visível de uma promoção à elite. Assinar por um grande clube resolve a parte contratual; sentir que se pertence ao mesmo balneário das figuras que serviram de referência durante a adolescência pode demorar mais.
Os percursos dos dois separaram-se depois. Pedri tornou-se uma das figuras do Barcelona e da seleção espanhola, enquanto Trincão saiu, passou pelo Wolverhampton e pelo Sporting e joga agora na Arábia Saudita.
Durante alguns dias de 2020, estavam exatamente no mesmo lugar.
À espera que alguém lhes dissesse que já podiam entrar.
Messi disse.















