A transformação do Benfica de Marco Silva não aconteceu principalmente através do mercado. Ao fim de 14 jogos oficiais, a mudança mais profunda está na hierarquia: jogadores que já pertenciam ao clube ganharam estatuto, outros perderam espaço e apenas três dos 11 mais utilizados no mesmo momento da temporada passada continuam entre os mais usados agora.
Dahl, Pavlidis e Barrenechea são esses três jogadores. Otamendi, António Silva, Dedic, Richard Ríos e Ivanovic deixaram o clube, enquanto Schjelderup, Aursnes e Trubin perderam peso relativo nas escolhas.
A comparação com o final da última época altera pouco o retrato. Se o universo forem os 11 jogadores mais utilizados em toda a temporada 2025/26, apenas Leandro Barreiro se junta a Dahl, Pavlidis e Barrenechea entre aqueles que conservaram uma posição semelhante na utilização.
A diferença também aparece na distribuição dos minutos. Há um ano, Otamendi era totalista e vários jogadores tinham participado em todos os encontros. Marco Silva chegou à primeira pausa doméstica sem qualquer futebolista utilizado nos 14 jogos oficiais, consequência também da rotação realizada em Milão antes do clássico no Dragão.
Essa rotação não significa ausência de tendências. Palhinha entrou mais tarde no plantel, mas a utilização ao lado de Aursnes diante do Milan e do FC Porto indica uma combinação que ganhou rapidamente importância. Barrenechea e Leandro Barreiro tinham começado a época com mais presenças, antes de a lesão do argentino voltar a mexer nas opções.
O dado mais esclarecedor talvez esteja nos reforços. Lenglet é o único contratado nesta temporada entre os 11 jogadores mais utilizados até agora. Palhinha aproxima-se desse núcleo, mas a base do Benfica de Marco Silva continua a ser composta maioritariamente por futebolistas que já estavam na Luz.
A revolução, portanto, não está no número de caras novas. Está na redistribuição do poder competitivo dentro do plantel: quem deixou de ter lugar praticamente garantido, quem ganhou uma segunda oportunidade e quem passou a oferecer ao treinador aquilo que antes não parecia suficiente.
Ao fim de três meses, Marco Silva ainda não fechou um onze. Essa ausência de lugares cativos pode ser transitória ou tornar-se uma característica do novo Benfica. Os próximos jogos dirão se a rotação continua a ser instrumento de construção ou se começa finalmente a revelar uma equipa-base.















