Marco Silva não procurou esconder as dificuldades do Benfica nem transformar o 3-1 numa exibição mais confortável do que realmente foi. Pelo contrário, encontrou precisamente no sofrimento um dos aspetos que mais valorizou: a equipa esteve em desvantagem, teve de alterar jogadores e estrutura, arriscou no final e encontrou forma de ganhar um encontro que durante muito tempo recusou abrir-se.
«Não vai ser sempre sem sofrer» foi a síntese do treinador, que já tinha alertado para a impossibilidade de atravessar uma época inteira a marcar cedo e a controlar todos os jogos desde o início. Na Luz, o Gil Vicente confirmou esse aviso ao marcar primeiro e ao obrigar o Benfica a esperar até aos 88 minutos para completar a reviravolta.
Marco Silva reconheceu que a pressão encarnada nem sempre funcionou bem, admitiu ter sentido a equipa pesada e disse até que poderia ter promovido mais alterações no onze inicial. Ao mesmo tempo, destacou a resposta de quem entrou. Palhinha aumentou a capacidade para ganhar duelos, Aursnes deu mais critério e Echeverri acrescentou criatividade num espaço congestionado.
A estreia do jovem argentino mereceu elogios particulares. Marco Silva gostou da forma como entrou num momento difícil, pediu bola e assumiu o risco mesmo com pouco tempo de trabalho na equipa.
Prestianni preferiu dividir o protagonismo. O argentino voltou a marcar e foi decisivo na reta final, mas apontou diretamente para Samuel Soares quando lhe pediram para explicar a vitória.
«Esta vitória também é graças ao Samu», afirmou, recordando a defesa do guarda-redes perante Lausen aos 90+2. Para o extremo, se o Gil Vicente tivesse feito o empate naquele momento, quase já não existiria tempo para voltar a ganhar.
Do outro lado, Luís Pinto saiu naturalmente desiludido, mas não derrotado na leitura que fez da própria equipa. O treinador considerou que o Gil Vicente conseguiu competir com personalidade perante um adversário com recursos muito superiores, defendendo junto quando era necessário e procurando manter a bola sempre que encontrava espaço para respirar.
Zé Carlos reforçou a mesma ideia. O médio reconheceu que o Benfica empurrou a equipa para trás depois do golo de Héctor Hernández, mas considerou que os gilistas tiveram capacidade para jogar e criar perigo suficiente para sair da Luz «de cabeça erguida».
As duas equipas retiraram, assim, coisas diferentes da mesma noite. O Benfica encontrou três pontos e a prova de que consegue ganhar também quando o plano não corre limpo.
O Gil Vicente encontrou uma derrota.
Mas não encontrou razões para deixar de acreditar no caminho.















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