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Jogar à Benfica é inegociável para Marco Silva

Treinador prometeu em junho uma equipa ofensiva, dominadora e capaz de aproximar os adeptos do campo. Três meses depois, os números já mostram essa identidade, embora Marco Silva continue a avisar que o Benfica está longe de ser um produto acabado.

Marco Silva chegou ao Benfica com uma ideia que apresentou antes de conhecer por completo o plantel e que não pretende alterar em função do adversário: dominar, atacar e jogar de forma suficientemente positiva para que a equipa e as bancadas se alimentem mutuamente. Três meses depois, a goleada em Moreira de Cónegos ofereceu uma das imagens mais completas desse compromisso.

O Benfica teve 71 por cento de posse, rematou repetidamente, instalou-se durante largos períodos no meio-campo adversário e ganhou por 4-0 a uma equipa que poucos dias antes tinha criado dificuldades significativas ao FC Porto. Marco Silva destacou no final precisamente a manutenção da «identidade», mais do que a dimensão do resultado.

Não foi uma exceção estatística.

A equipa marca acima de três golos por jogo e já produziu resultados largos frente a St. Gallen, Hearts e Casa Pia. Mesmo no empate com o Académico Viseu, um dos jogos em que perdeu pontos, os indicadores ofensivos permaneceram elevados. O problema nesse dia esteve na transformação do domínio em resultado, não na ausência dele.

A construção começou antes de Marco Silva ter todas as peças disponíveis. Schjelderup e Lukebakio chegaram mais tarde depois do Mundial, Prestianni falhou os primeiros encontros por suspensão e alguns dos reforços foram sendo integrados com a temporada já em movimento.

Ainda assim, o grupo aderiu rapidamente à ideia.

A evolução de Prestianni, o regresso de Schjelderup ao onze e a entrada progressiva de jogadores como Palhinha e Aursnes oferecem agora mais possibilidades para uma equipa que o treinador continua a considerar incompleta.

Foi precisamente esta possibilidade de voltar a trabalhar num clube obrigado a lutar por títulos e com recursos para assumir o jogo que pesou na decisão de regressar a Portugal, apesar de alternativas financeiramente mais atraentes no estrangeiro.

Na apresentação, Marco Silva disse que compromisso e exigência nem sequer estavam em discussão porque eram obrigações.

O que queria acrescentar era outra coisa: uma identidade dominadora.

A época ainda está no princípio e o Benfica ainda terá de mostrar se consegue preservá-la quando o jogo e o calendário forem menos favoráveis.

A ideia, essa, não está em negociação.