João Félix encontrou na chegada de Jorge Jesus à Seleção uma mudança que considera capaz de alterar a própria carreira. Depois de marcar o golo da vitória sobre o País de Gales, o avançado destacou sobretudo uma diferença menos visível no resultado: voltou a jogar numa zona que reconhece como sua.
«Jorge Jesus entende de futebol, na tática dele tem a posição que é a minha e toda a gente viu o que posso dar», afirmou Félix depois do primeiro encontro da nova era. Questionado sobre o impacto do treinador, foi ainda mais claro: «Está a mudar a minha carreira, sim.»
A mudança começa no desenho coletivo. Portugal afastou-se do 4x3x3 utilizado durante grande parte do ciclo anterior e apresentou-se num 4x4x2 que permite a João Félix atuar por dentro, mais próximo do segundo avançado e das zonas onde pode receber entre linhas, em vez de partir sistematicamente de um corredor.
Contra Gales, essa liberdade produziu o único golo do encontro. Félix recebeu a assistência de Nuno Mendes e resolveu uma partida que Portugal dominou durante largos períodos, mas na qual teve dificuldades para transformar o volume ofensivo numa diferença maior no marcador.
O reencontro entre jogador e treinador não começou na Seleção. Jesus orientou João Félix no Al Nassr na última temporada, na qual o português alcançou os melhores números da carreira, com 26 golos e 18 assistências. A utilização agora na equipa nacional prolonga uma relação em que o treinador já conhece as zonas e os movimentos que procura potenciar.
A Noruega oferece um teste de exigência diferente. A equipa de Ståle Solbakken venceu a Dinamarca na primeira jornada e apresenta maior capacidade física, pressão e qualidade individual do que o País de Gales. É nesse cenário que se poderá perceber se o primeiro jogo representou apenas uma boa estreia ou o princípio de uma alteração mais profunda no papel de Félix.
Aos 26 anos, o problema de João Félix já não é demonstrar que possui talento. É transformar esse talento numa função estável dentro de uma equipa. A primeira decisão de Jesus foi devolver-lhe uma posição em que o próprio jogador se reconhece; Oslo começa a mostrar quanto pode valer essa escolha.















