Hulk escolheu André Villas-Boas como o melhor treinador que teve na carreira e Vítor Pereira como o pior, colocando nos extremos da avaliação pessoal dois técnicos com quem viveu períodos de sucesso no FC Porto e que chegaram ao banco principal separados por apenas algumas semanas.
A resposta surgiu numa conversa com Romário, durante uma sequência de perguntas rápidas sobre a carreira. Villas-Boas ficou no lado positivo e Vítor Pereira recebeu a escolha mais dura, sem que Hulk tenha desenvolvido nessa altura os motivos concretos para uma diferença tão acentuada.
O contraste torna-se mais interessante pelo contexto portista. Villas-Boas orientou Hulk na temporada de 2010/11, uma das mais fortes da história recente do clube, enquanto Vítor Pereira assumiu imediatamente a equipa depois da saída do treinador para o Chelsea. Hulk continuou a ser uma das principais figuras do FC Porto antes de partir para o Zenit em 2012.
A preferência por Villas-Boas não se limitou à relação construída no Dragão. Os dois voltaram a trabalhar juntos no Shanghai SIPG, prolongando uma ligação profissional que atravessou continentes e diferentes fases da carreira do avançado.
Hulk também recuperou uma história que ajuda a perceber como a permanência no FC Porto podia ter terminado mais cedo. Segundo o brasileiro, o Manchester City apresentou uma proposta de cerca de €60 milhões depois da temporada de 2010/11, mas os dragões tinham acabado de vender Radamel Falcao ao Atlético de Madrid e recusaram perder as duas principais referências ofensivas no mesmo mercado.
O jogador diz ter conhecido a existência dessa abordagem apenas mais tarde. Na altura, permaneceu no Porto e só no verão seguinte aceitou a mudança para o Zenit, numa janela em que o mercado russo continuava aberto depois de encerradas as principais ligas europeias.
Na mesma conversa, Hulk escolheu Falcao como melhor parceiro de ataque, Rio Ferdinand como o defesa que mais dificuldades lhe criou e Romário como ídolo de infância. Também recordou Jesualdo Ferreira com gratidão pelo papel desempenhado na chegada à Europa e na adaptação a um futebol muito diferente daquele que conhecia.
Há, portanto, uma distinção importante entre resultado coletivo e memória pessoal.
Vítor Pereira ganhou com Hulk.
Villas-Boas marcou-o mais.















