O FC Porto conseguiu fazer do regresso à Liga dos Campeões um jogo competitivo durante muito mais tempo do que o Manchester City desejaria, mas não conseguiu transformar essa competitividade numa verdadeira ameaça à baliza de Donnarumma. O outro lado teve Erling Haaland, Diogo Costa adiou-o durante uma primeira parte de enorme exigência e a diferença acabou por aparecer precisamente onde os jogos deste nível costumam ser decididos: nas áreas.
Farioli entrou sem Bednarek, castigado, e sem Victor Froholdt, ainda no protocolo de recuperação da concussão sofrida frente ao Moreirense, reorganizando a defesa com Nehuén Pérez ao lado de Kiwior e o meio-campo com Alan Varela e Pablo Rosario. A intenção não foi esperar pelo City perto da própria área. O FC Porto procurou pressionar a construção inglesa, aproximar jogadores e obrigar o adversário a trabalhar para sair.
Funcionou como mecanismo de resistência, menos como mecanismo ofensivo.
O City teve mais bola e começou progressivamente a encontrar as zonas que a pressão portista tentava retirar. Haaland ganhou no ar e obrigou Diogo Costa a uma primeira grande intervenção; Phil Foden apareceu depois em posição de remate e o guarda-redes português voltou a ser chamado.
O 0-0 ao intervalo dizia muito sobre Diogo Costa e pouco sobre a quantidade de perigo produzida nas duas balizas. O FC Porto conseguia manter a intensidade, William Gomes incomodava Gvardiol e havia momentos de boa pressão e saída, mas quase todas as aproximações morriam antes da finalização ou acabavam em fora de jogo. O City não jogava com a fluidez habitual, mas criava as melhores oportunidades.
A primeira parte terminou ainda com Gabri Veiga a sangrar depois de um duelo aéreo com Marc Guéhi, lance que aumentou a irritação do banco portista e prolongou a tensão até ao túnel. A discussão arbitral merece análise própria; para o jogo, o intervalo apresentou uma questão mais imediata: durante quanto tempo poderia o FC Porto continuar a conceder oportunidades daquela qualidade sem sofrer?
A resposta demorou pouco.
O City encontrou Haaland na área e o norueguês fez o 0-1. Diogo Costa já tinha vencido vários duelos com o avançado. Naquela execução não havia praticamente defesa possível.
A desvantagem produziu o melhor período portista com bola. A equipa avançou metros, começou a arriscar mais nas combinações interiores e encontrou remates que até aí quase não existiam. Alan Varela passou perto e William voltou a procurar o espaço a partir da direita, enquanto Farioli mexeu para manter capacidade física numa equipa obrigada a perseguir o resultado.
O problema esteve no destino das jogadas.
O FC Porto terminou sem qualquer remate enquadrado.
É um dado suficientemente importante para impedir que uma boa capacidade competitiva seja confundida com uma exibição de igual produção ofensiva. O City sofreu períodos de pressão e teve de defender com atenção, mas Donnarumma atravessou o encontro sem realizar uma defesa.
A procura do empate obrigou os dragões a aumentar o risco e, com o jogo progressivamente mais aberto, o City continuou a encontrar espaço para chegar à área. Haaland acabaria por voltar a marcar e fechar o 0-2.
O resultado terminou mais confortável do que o FC Porto permitiu durante boa parte da noite, mas não é difícil encontrar a lógica que o produziu. O City criou várias oportunidades claras, encontrou um guarda-redes extraordinário e continuou a chegar. O FC Porto pressionou, correu, disputou o jogo e teve capacidade para não desaparecer depois do 0-1, mas nunca obrigou Donnarumma a resolver aquilo que Diogo Costa teve de resolver repetidamente na baliza contrária.
Farioli encontrou razões para acreditar que a equipa consegue competir neste nível.
Também recebeu a primeira medida europeia daquilo que ainda separa competir de pontuar.
Contra o Manchester City, essa distância teve um nome conhecido.
Haaland precisou de duas brechas.
Foram suficientes.















