O Moreirense chegou ao Benfica depois de disputar quatro dias antes um jogo exigente no Dragão, perdeu simultaneamente duas peças importantes do meio-campo e encontrou um adversário capaz de lhe retirar a bola durante longos períodos. O 0-4 nasceu da soma dessas dificuldades e tornou-se pesado quando uma equipa já desgastada deixou de conseguir reorganizar-se depois do segundo golo.
Vasco Botelho da Costa tinha identificado a recuperação como o primeiro problema ainda antes do encontro e voltou ao tema depois da derrota. Os sinais apareceram cedo: a pressão chegava atrasada, as linhas demoravam a encurtar e cada recuperação era demasiado curta para permitir descanso com bola.
Há uma razão simples para isso.
O Moreirense não está habituado a competir com este intervalo e o jogo anterior não tinha sido qualquer jogo. No Dragão, a equipa pressionou, disputou duelos e obrigou o FC Porto a recuperar de uma desvantagem. Quatro dias depois, precisava de repetir esforços semelhantes contra outro adversário capaz de elevar muito o ritmo.
Também não pôde repeti-los com a mesma equipa.
Guilherme Liberato estava castigado e João Veloso não podia enfrentar o Benfica, clube que o emprestou. Botelho da Costa perdeu de uma vez duas peças do setor central e teve de reconstruir relações precisamente na zona onde o Benfica concentrava grande parte da circulação.
Stjepanovic apareceu pela primeira vez no onze e Rodrigo Alonso assumiu funções diferentes das habituais. O problema não esteve exclusivamente nos dois, mas na perda de automatismos num setor que precisava de tomar decisões depressa.
A seguir apareceu a qualidade do adversário.
O Benfica instalou-se no meio-campo ofensivo, mudou constantemente o centro do jogo, utilizou Prestianni e Schjelderup para criar superioridade à esquerda e recuperou rapidamente quase todas as bolas perdidas. André Ferreira conseguiu evitar o golo durante muito tempo, mas fazia-o num jogo que continuava a decorrer perto da própria baliza.
O penálti nos descontos da primeira parte retirou ao Moreirense a possibilidade de chegar ao intervalo com 0-0. É uma decisão discutível, porque Lenglet baixa a cabeça e contribui para provocar o contacto com Parsemain, e Manuel Mendonça admitiu que o episódio afetou a equipa.
Teve peso.
Mas a goleada começou verdadeiramente depois.
Aos 55 minutos, Prestianni serviu Schjelderup para o segundo. Quatro minutos depois, o argentino percorreu espaço suficiente para fazer ele próprio o terceiro.
Foi essa incapacidade para absorver o 0-2 que transformou uma derrota provável numa noite pesada. O Moreirense precisava de subir, abriu espaço, deixou de conseguir proteger a profundidade e encontrou dois jogadores particularmente preparados para explorar exatamente esse cenário.
Também os bancos mostraram a diferença disponível naquele momento. Marco Silva pôde gerir Pavlidis, Prestianni e Barreiro e lançar Aursnes, Durán e Lukebakio; Botelho da Costa procurava sobretudo devolver energia a uma equipa que já passara demasiado tempo sem bola.
O Moreirense teve, portanto, várias razões para acabar sem resposta.
Chegou cansado, mexeu numa zona importante, encontrou um Benfica muito forte e sofreu o primeiro golo num momento difícil.
Mas há uma razão que lhe pertence inteiramente e que terá de corrigir.
Quando sofreu o segundo, perdeu demasiado depressa o jogo que ainda tinha pela frente.















