Há dois anos, Djé Tavares conciliava o futebol com trabalho nas obras. Hoje é titular de uma equipa do Santa Clara que atravessa um início de temporada invicto e foi uma das figuras da vitória por 2-1 em Arouca, com uma assistência para Gonçalo Paciência e o primeiro golo do próprio médio na Liga.
A distância entre esses dois pontos ajuda a explicar por que Petit fala do jogador com um entusiasmo que vai além da exibição de uma jornada.
Djé chegou a Portugal sem um caminho profissional garantido, passou pelas equipas C e B do Alverca e teve mesmo de trabalhar durante um período fora do futebol. A oportunidade apareceu, foi aproveitada e chamou a atenção do Santa Clara, que o levou para os Açores em 2024/25.
O percurso continuou longe dos holofotes. Primeiro os sub-23, depois a equipa B e, finalmente, a aproximação ao plantel principal. A estreia na Liga aconteceu em agosto de 2025, frente ao Estrela da Amadora, e a primeira temporada entre os seniores acabou com 29 utilizações, 25 delas no campeonato, num total de 1292 minutos.
A mudança nesta época está na hierarquia.
Petit deu-lhe continuidade no onze e o médio respondeu com um perfil cada vez mais completo. Em Arouca, não se limitou ao trabalho entre áreas: serviu Paciência no primeiro golo e depois partiu sobre dois adversários para marcar o segundo, numa ação que juntou confiança, condução e decisão.
O treinador vê aí apenas uma parte do potencial. Destaca sobretudo a predisposição do jogador para continuar a trabalhar depois das sessões, aperfeiçoando receções, leitura do jogo e outros detalhes técnicos que ainda podem aumentar a influência que exerce no meio-campo.
O percurso de Djé Tavares não precisa de ser romantizado para ser pouco comum. Trabalhou fora do futebol porque precisava, começou longe da equipa principal e foi subindo cada degrau à medida que o rendimento o justificava.
Agora já não está apenas a tentar chegar.
Está a começar a mostrar até onde pode ir.















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