O resultado dizia 1-2 e deixou a equipa B do Sporting sem pontos, mas para João Simões o jogo com o Lusitânia de Lourosa teve uma consequência que ultrapassava largamente a classificação da II Liga: voltou a ser futebolista dentro de um campo cinco meses depois.
O médio de 19 anos entrou durante a segunda parte e encerrou um período de recuperação iniciado depois do problema no quinto metatarso do pé direito que obrigou a intervenção cirúrgica e lhe retirou competição durante quase meio ano.
O regresso não aconteceu ainda na equipa principal nem representa o final de todos os cuidados físicos.
Representa outra coisa, mais elementar.
João Simões voltou a jogar.
A mensagem publicada depois do encontro mostrou a dimensão que o período de ausência teve para o jogador. Agradeceu à família, aos amigos, aos sportinguistas e a todos aqueles que o acompanharam durante aquilo que definiu como cinco meses de «sofrimento, de luta e muita resiliência».
A última frase já aponta para a etapa seguinte.
«Agora é voltar ao trabalho.»
É precisamente aí que começa uma recuperação diferente daquela feita entre tratamento, ginásio e relvado. Estar clinicamente apto permite competir; recuperar ritmo, confiança, intensidade e espaço numa equipa exige jogos.
Simões regressa também a um Sporting que não ficou parado enquanto esteve lesionado. A concorrência existe e a hierarquia terá de voltar a ser conquistada, sem que faça sentido exigir imediatamente ao médio aquilo que apresentava antes da paragem.
Por isso, a utilização na equipa B não deve ser lida como um recuo.
É uma ponte.
Permite-lhe acumular minutos num contexto competitivo, testar novamente o corpo e aproximar-se da exigência necessária para voltar a ser opção regular num nível superior.
A derrota frente ao Lusitânia de Lourosa pertence ao percurso da equipa B.
Para João Simões, o acontecimento principal aconteceu quando entrou em campo.
Depois de cinco meses em que trabalhar significava preparar o regresso, trabalhar volta finalmente a incluir jogar futebol.















