Daniel Bragança ainda não foi titular pelo Torino, mas Ignazio Abate retirou qualquer ambiguidade à interpretação dessa ausência: o treinador gostaria de o utilizar mais e considera que apenas a falta de ritmo competitivo impede o português de entrar já diretamente no onze.
«Se tivesse outro ritmo de jogo, tinha ido direto ao onze.»
A frase é particularmente significativa para um jogador que chegou a Itália em cima do fecho do mercado e ainda está a atravessar uma integração comprimida entre adaptação, recuperação da condição física e competição oficial.
Bragança entrou ao intervalo na derrota por 2-0 frente à Roma e voltou a mostrar ao treinador aquilo que Abate considera a característica mais importante para o encaixe na equipa.
«Tem presença em campo, a bola não queima no seu pé.»
A expressão resume a confiança na capacidade do antigo médio do Sporting para receber sob pressão, manter critério e dar continuidade ao jogo mesmo quando o contexto reduz o tempo para decidir.
O problema está noutro lugar.
Bragança chegou ao Torino sem os índices físicos que permitiriam uma utilização imediata durante 90 minutos e a equipa técnica decidiu aumentar progressivamente a carga competitiva em vez de antecipar uma titularidade apenas pelo estatuto do reforço.
Abate diz que o jogador está no clube há cerca de 15 dias e espera aproveitar o próximo período de trabalho para elevar a condição física.
Não há, portanto, uma discussão técnica sobre a utilidade do médio.
Há uma gestão do momento em que essa utilidade poderá aparecer desde o início.
Bragança passou parte da pré-temporada integrado no Sporting e chegou a ser utilizado nos primeiros encontros de preparação, mas falhou posteriormente os últimos jogos desse período e o arranque oficial enquanto a saída de Alvalade se aproximava.
Esse intervalo competitivo acompanha-o agora em Turim.
Ainda poderá receber mais minutos diante do Bolonha antes da próxima pausa, mas o objetivo mais importante está um pouco além desse encontro: regressar desse período com condição suficiente para que Abate deixe de precisar de explicar por que não começa.
O treinador já deixou claro aquilo que pensa do jogador.
Bragança não está no banco porque lhe falte futebol.
Está no banco porque o corpo ainda precisa de alcançar aquilo que o treinador já vê nos pés.















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