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Benfica sofreu até aos 88 minutos para virar o jogo que o Gil Vicente nunca deixou simples

Héctor Hernández marcou cedo, Pavlidis empatou antes da meia hora e só um penálti sobre Aursnes abriu a porta da reviravolta. Samuel Soares evitou o 2-2 antes de Prestianni fechar o 3-1 nos descontos.

O Benfica ganhou por 3-1, mas durante 80 minutos o resultado esteve muito longe de contar a história que acabaria escrita no marcador. O Gil Vicente marcou na primeira vez que chegou com verdadeiro perigo, obrigou as águias a jogar quase sempre contra um bloco baixo e organizado e só cedeu aos 88 minutos, quando Pavlidis transformou a grande penalidade sofrida por Aursnes. Ainda houve tempo para Samuel Soares impedir o empate e para Prestianni fazer o terceiro, num final frenético que alargou uma diferença construída muito mais tarde do que o resultado sugere.

Marco Silva alterou apenas uma peça relativamente à goleada sobre o Moreirense, trocando Palhinha por Barrenechea, e encontrou um adversário preparado para retirar espaço por dentro e construir com muita gente desde trás. Luís Pinto baixou um dos alas, juntou cinco homens na última linha e protegeu o corredor central, onde Zé Carlos, Elimbi e Buatu conseguiram limitar durante largos períodos as ligações entre Rafa, Prestianni e Pavlidis.

O primeiro golpe chegou aos sete minutos e nasceu precisamente daquilo que o Benfica menos podia oferecer a uma equipa preparada para sair rápido. Depois de recuperar a bola, os encarnados perderam-na quase imediatamente, Gil Martins encontrou Héctor Hernández nas costas da defesa e o espanhol colocou o Gil Vicente na frente.

O Benfica não entrou em pânico, mas também não encontrou rapidamente a fluidez que procurava. Pavlidis desperdiçou uma boa oportunidade antes de chegar ao empate, aos 29 minutos, com uma finalização de grande qualidade. O 1-1 devolveu equilíbrio ao marcador, não ao jogo, porque os gilistas continuaram muito juntos e obrigaram as águias a circular sem encontrarem facilmente o último passe.

A dificuldade manteve-se depois do intervalo. Lucão transmitia segurança, Elimbi acumulava cortes importantes e o Benfica tinha mais bola e mais território do que ocasiões claras. Marco Silva percebeu que o encontro precisava de outra energia e começou a recorrer ao banco.

Aursnes e Palhinha deram outra intensidade ao meio-campo, Lukebakio acrescentou profundidade e Echeverri, na estreia, entrou sem receio de receber entre linhas. Com Durán ao lado de Pavlidis, o Benfica passou também a ocupar a área com mais gente e aceitou aumentar o risco ofensivo.

A pressão cresceu. Pavlidis voltou a desperdiçar uma boa oportunidade, Schjelderup aproximou-se do golo e Prestianni acertou na barra aos 86 minutos. Pouco depois, Aursnes acreditou numa bola dentro da área e Tidjany Touré chegou tarde. Pavlidis assumiu o penálti e, aos 88, colocou finalmente o Benfica na frente.

Parecia resolvido. Não estava.

Aos 90+2, Lausen apareceu em condições de empatar e obrigou Samuel Soares a sair rapidamente dos postes para realizar a defesa mais importante da noite. Um minuto depois, Echeverri abriu para Prestianni, o argentino trouxe a bola para dentro e colocou-a no ângulo de Lucão.

O Benfica venceu porque insistiu, porque o banco acrescentou aquilo que o jogo estava a pedir e porque teve qualidade individual nos momentos decisivos. O Gil Vicente perdeu depois de resistir durante quase 90 minutos e mostrou futebol suficiente para que o resultado final não apague a dificuldade que criou.

O 3-1 foi claro.

A vitória nunca foi fácil.