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Benfica lucra €19,1 milhões, reforça capitais próprios e mantém as vendas como peça do equilíbrio

SAD apresenta o segundo resultado positivo consecutivo, reduz a dívida líquida e bate recordes no matchday e na televisão. A operação sem direitos de jogadores continua negativa e confirma uma realidade que a própria administração assume: o futebol português ainda precisa de vender.

A Benfica SAD fechou 2025/26 com um lucro de €19,1 milhões, o segundo exercício consecutivo no verde e o terceiro dos últimos quatro, reforçando uma posição financeira que apresenta agora €135,5 milhões de capitais próprios e uma dívida líquida reduzida para €184,9 milhões. Os números dão à administração argumentos para falar de solidez, mas também deixam visível a característica estrutural de um clube português que investe para competir e continua a precisar do mercado de jogadores para equilibrar a operação.

O resultado operacional com direitos de atletas foi positivo em €32,4 milhões, enquanto a relação entre rendimentos e gastos operacionais sem essa componente ficou cerca de €15 milhões negativa. Nuno Catarino não procurou esconder a dependência das vendas e enquadrou-a no modelo económico do futebol fora das ligas com receitas televisivas muito superiores, acrescentando outro custo que considera essencial à leitura: o Benfica investe mais de €15 milhões por ano na formação.

A diferença está em chegar a esse modelo com uma base financeira mais confortável. Os capitais próprios cresceram 16,5%, para o segundo valor mais elevado da história da SAD, enquanto o ativo ficou muito próximo dos €650 milhões e o passivo passou os €500 milhões. A subida simultânea dos dois lados resulta, em grande parte, do investimento e desinvestimento em jogadores e das contas ainda por receber ou pagar entre clubes; por isso, a administração prefere olhar para a redução da dívida líquida como indicador mais relevante da exposição financeira.

Também as receitas recorrentes cresceram. O matchday atingiu €45,2 milhões, o valor mais alto de sempre, impulsionado pela bilhética, pela expansão do estádio e pela componente corporate, enquanto televisão e digital chegaram a €55,7 milhões. São receitas que reduzem a pressão sobre o mercado sem ainda a eliminar.

É precisamente nessa fronteira entre crescimento e autonomia que surge uma das mensagens políticas das contas. Catarino garante que o Benfica vive com os recursos que gera, não faz aumentos de capital para financiar a atividade corrente e não anda à procura de investidores que coloquem dinheiro na SAD. Isso não impede que a Assembleia Geral proposta para 30 de setembro seja chamada a renovar por cinco anos a autorização que permite ao Conselho de Administração aumentar o capital social por entradas em dinheiro até €50 milhões. A autorização oferece flexibilidade; não significa que exista neste momento uma operação de aumento de capital preparada.

A mesma reunião deverá apreciar as contas, deliberar sobre a aplicação do resultado, votar a confiança nos órgãos de administração e fiscalização e decidir uma alteração ao objeto social da SAD. A proposta pretende abrir formalmente espaço a educação e formação contínua, consultoria técnica, inovação, produção de conhecimento e parcerias ligadas à formação, enquadrando projetos como o Instituto Benfica de Excelência Desportiva numa tentativa de transformar competência futebolística também em atividade económica.

Em paralelo, uma avaliação da Brands Capital Sports colocou a Benfica SAD no primeiro lugar entre as sociedades desportivas portuguesas, com um valor médio estimado de €581,23 milhões, à frente de FC Porto e Sporting. O estudo utiliza elementos desportivos e financeiros, desde o plantel e a situação contratual dos jogadores aos dados públicos das contas, pelo que deve ser lido como uma estimativa segundo uma metodologia própria e não como valor contabilístico da SAD.

O exercício de 2025/26 deixa assim duas conclusões que não se anulam. O Benfica está financeiramente mais sólido, tem receitas recorrentes em máximos e reduziu dívida líquida; ao mesmo tempo, a própria administração reconhece que a sustentabilidade do futebol continua ligada à capacidade de formar, valorizar e vender jogadores.

É uma posição mais confortável.

Ainda não é independência do mercado.