Samu voltou a sentir-se futebolista depois de 223 dias afastado da competição e considera que o período mais difícil da carreira ficou finalmente para trás. O avançado do FC Porto descreve a grave lesão sofrida no joelho direito como um «pesadelo», mas garante que a recuperação lhe devolveu sensações suficientemente boas para dizer que se sente «até melhor do que antes».
A lesão, sofrida a 9 de fevereiro, teve uma consequência que foi muito além da longa ausência dos relvados. Samu estava integrado nas opções de Luis de la Fuente e aproximava-se do Mundial de 2026, competição que definia como objetivo pessoal desde os tempos em que ainda jogava na equipa B do Granada. Quando percebeu que não poderia estar presente, a frustração foi suficientemente forte para o levar a afastar-se inicialmente do próprio torneio.
O avançado admite que não conseguia ver os jogos. Assistir ao Mundial significava imaginar o lugar que poderia ter ocupado e confrontar-se repetidamente com aquilo que a lesão lhe tinha retirado. O processo foi mudando com o tempo e Samu acabou por acompanhar a competição, chegando mesmo à final por convite da federação espanhola. O gesto ganhou importância num período em que também recebeu contactos de De la Fuente durante a recuperação.
A prioridade durante sete meses foi reconstruir o joelho sem procurar atalhos. Samu agradece ao departamento médico do FC Porto e às pessoas que o acompanharam e sublinha que uma lesão desta dimensão obrigou a respeitar cada etapa. O regresso encerra a parte clínica do problema, mas não o processo desportivo: recuperar ritmo, intensidade e capacidade para repetir esforços ao nível anterior exige agora minutos de competição.
É aí que começa a segunda recuperação. Samu não esconde que pretende voltar à seleção espanhola, sabendo que a concorrência aumentou durante a ausência. Há também um pequeno objetivo que continua por cumprir: apesar das quatro internacionalizações, ainda procura o primeiro golo por Espanha.
O Mundial perdeu-se. Essa parte da história já não pode ser alterada. O que Samu pode mudar começa agora: recuperar o lugar no FC Porto, voltar ao nível que o aproximou da seleção e transformar uma ausência de 223 dias numa interrupção da carreira, não numa fronteira entre o jogador que era e aquele que ainda pode voltar a ser.















