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Navegação principal da época 2026/27.

Uma jornada bastou para a arbitragem voltar ao centro do campeonato

Os dois penáltis do FC Porto-Alverca, ambos assinalados depois da intervenção do VAR, prolongaram-se muito para além do apito final. Os dragões rejeitam qualquer favorecimento, atacam quem constrói essa narrativa e respondem com os números de Benfica e Sporting numa Liga que mal começou e já recuperou uma das suas discussões mais antigas.

O campeonato precisou de uma jornada para voltar a um território conhecido. O FC Porto venceu o Alverca por 2-0, mas os dois golos, ambos de grande penalidade e ambos assinalados depois de intervenção do VAR, foram suficientes para devolver a arbitragem ao centro da discussão.

André Silva marcou o primeiro e Gabri Veiga converteu o segundo. Nos dois lances, Luís Godinho deixou inicialmente seguir o jogo e só apontou para a marca de penálti depois de ser chamado pelo VAR. O FC Porto começou por manifestar insatisfação precisamente com esse dado: para os dragões, as infrações existiam e deveriam ter sido identificadas pelo árbitro no relvado.

A discussão não terminou aí. Perante as leituras posteriores sobre o benefício que os dois penáltis poderiam representar, o clube voltou ao assunto e mudou o sentido da resposta: deixou de discutir apenas o que Luís Godinho não viu e passou a rejeitar a ideia de que o resultado tivesse traduzido qualquer favorecimento.

“Há quem continue a tentar criar a narrativa de que o FC Porto é favorecido pelas arbitragens. Nada mais falso”, escreveu o clube, acrescentando que os analistas dos três jornais desportivos tinham considerado corretas as duas decisões finais.

Depois veio o contra-ataque. O FC Porto recuperou os números da temporada anterior e apontou diretamente aos rivais. Segundo os dragões, o Benfica terminou o ano como a equipa dos dez principais campeonatos europeus com mais grandes penalidades a favor, 26, enquanto o Sporting teria ocupado o sexto lugar dessa lista, com 15.

É a partir daí que o discurso deixa definitivamente os dois lances do Dragão e entra no velho combate das narrativas. “Apontar o dedo ao FC Porto depois de um triunfo sem mácula só revela desespero”, sustentaram os portistas, fechando com um apelo à serenidade porque “ainda vamos na primeira jornada”.

A frase encerra quase todo o paradoxo deste início de Liga. Ainda só passou uma jornada, mas já há decisões revistas pelo VAR, contestação ao árbitro por não as ter assinalado em campo, suspeitas de favorecimento rejeitadas publicamente e números da época anterior convocados para responder aos adversários. A arbitragem não precisou de um erro comprovado para regressar ao debate; bastou que os grandes encontrassem matéria suficiente para reconstruir as posições habituais.

E a discussão surge num arranque de temporada que já transportava outros sinais de desconforto institucional. O Benfica recebeu o Académico de Viseu à porta fechada devido a uma sanção relacionada com acontecimentos de 2022/23; o Estrela da Amadora-Sporting foi disputado num relvado em más condições poucos dias depois de a Supertaça também ter exposto problemas no piso; e Federação e Liga anunciaram explicações e maior rigor na fiscalização.

São assuntos diferentes, mas encontram-se num mesmo ponto: o futebol português continua a começar demasiadas discussões fora do jogo antes de ter tempo de perceber aquilo que o próprio jogo lhe trouxe.

No Dragão, pelo menos, o resultado não ficou em discussão: o FC Porto venceu por 2-0 e os dois penáltis acabaram validados. O que ficou aberto foi tudo o que veio depois.

A primeira jornada terminou. A discussão da arbitragem, essa, já parece muito mais adiantada no campeonato.