Jornada.pt
PesquisarEntrar

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

Héctor quebra resistência de um Rio Ave com dez e estreia Luís Pinto a ganhar

O Rio Ave ficou reduzido a dez aos 47 minutos com a expulsão de Andreas Ntoi e resistiu quase até ao fim à pressão crescente do Gil Vicente. Aos 85 surgiu um penálti por lance envolvendo Nelson Abbey e Héctor Hernández converteu aos 87 o único golo, dando aos gilistas três pontos no primeiro jogo de Luís Pinto.

O Gil Vicente precisou de quase toda a segunda parte em superioridade numérica e de uma grande penalidade nos minutos finais para transformar o domínio em vitória. Héctor Hernández marcou aos 87 minutos e decidiu o 1-0 frente ao Rio Ave, oferecendo a Luís Pinto três pontos na estreia no banco de Barcelos.

A primeira parte não anunciava um desfecho tão desequilibrado em termos numéricos. Weverson ameaçou para o Gil Vicente logo aos seis minutos, mas Roland Galčík respondeu aos oito e Jalen Blesa voltou a levar perigo à baliza gilista aos 34. O encontro mantinha-se aberto e repartido.

Ainda antes do intervalo houve um lance envolvendo Tamble Monteiro assinalado nos registos como caso de arbitragem, aos 43 minutos. Mas o episódio que verdadeiramente mudou as condições da partida surgiu imediatamente após o recomeço: Andreas Ntoi foi expulso aos 47 e deixou o Rio Ave com dez jogadores durante praticamente toda a segunda parte.

A partir daí, o Gil Vicente foi acumulando chegadas. Carlos Eduardo ameaçou aos 55 minutos e seguiram-se novas situações através de Joelson Fernandes, Gil Martins e Touré. O Rio Ave baixou, defendeu a igualdade e foi sobrevivendo a uma partida que se tornava progressivamente mais difícil.

A resistência durou até aos 85 minutos. Um lance envolvendo Nelson Abbey terminou com grande penalidade favorável ao Gil Vicente. Dois minutos depois, Héctor Hernández converteu e fez o único golo da noite. O avançado ainda esteve perto de voltar a marcar aos 90+4 e Touré ameaçou novamente já aos 90+8.

A arbitragem teve, portanto, influência factual importante no desenvolvimento da partida: uma expulsão aos 47 minutos alterou a relação de forças e um penálti aos 85 originou o golo decisivo. Isso não equivale, por si só, a considerar erradas as decisões. Os elementos disponíveis identificam os dois momentos, mas não fornecem uma análise técnica independente suficientemente detalhada para concluir que a equipa de arbitragem decidiu incorretamente. A influência no jogo é objetiva; um juízo sobre a correção dos lances exigiria mais do que o simples registo das incidências.

Sotiris Silaidopoulos centrou a leitura da derrota noutro problema. O treinador do Rio Ave considerou que à equipa «faltou ter mais calma no último passe», uma leitura compatível com uma primeira parte em que os vila-condenses também encontraram situações para ameaçar antes de ficarem reduzidos a dez.

Para o Gil Vicente, a vitória inaugurou uma mudança que surgiu depois de uma das melhores épocas recentes do clube. César Peixoto deixou Barcelos para assumir o Wolverhampton depois de conduzir os gilistas ao sexto lugar, igualando uma das melhores classificações da história do emblema. Luís Pinto foi contratado até 2029 para dar continuidade a esse crescimento.

O novo treinador tinha prometido uma equipa consistente defensivamente e perigosa no ataque, preparada para entrar em todos os jogos à procura da vitória. A estreia não foi uma demonstração fácil dessa ideia, mas terminou exatamente com o resultado pretendido.

Do outro lado existe também um contexto que ultrapassa o relvado. O Rio Ave vive uma fase de transformação societária e estrutural desde que Evangelos Marinakis adquiriu 80 por cento da SAD em 2024. O investidor acompanhou nos últimos meses o desenvolvimento do novo centro de treinos do futebol profissional, integrado num processo mais amplo de modernização do projeto vila-condense.

Nada disso decidiu o jogo de Barcelos, mas ajuda a perceber duas equipas que iniciaram a época com ambições de consolidação diferentes. Dentro das quatro linhas, a explicação foi mais curta: o Rio Ave conseguiu resistir com dez durante quarenta minutos, mas não até ao fim. Héctor Hernández esperou até aos 87 e transformou a primeira noite de Luís Pinto no Gil Vicente numa vitória.