O Benfica-Académico de Viseu terminou envolvido em protestos, sobretudo na reta final, mas a sucessão de lances discutidos não correspondeu a uma sucessão de erros de arbitragem. Nas decisões com maior influência potencial no resultado, David Silva e o VAR encontraram respostas tecnicamente sustentadas.
O primeiro momento relevante aconteceu logo no golo inaugural do Benfica. Aos nove minutos, Pavlidis estava em posição legal quando recebeu a assistência de Prestianni e fez o 1-0. Não existia fora de jogo.
Também não havia motivo para grande penalidade aos 42 minutos, quando Bah rematou contra Rúben Pereira. A bola atingiu a zona lateral do tronco do defesa do Académico e não a mão ou o braço.
Aos 68 minutos surgiu outro lance importante para o resultado. André Clóvis estava igualmente em posição regular no momento do cruzamento de Robinho e o golo do 1-1 foi corretamente validado.
Dois minutos depois voltou a pedir-se penálti na área viseense. A bola desviada de cabeça por Rafa atingiu as mãos de Messeguem, mas o jogador tinha os braços junto ao corpo, sem criar volumetria adicional. A decisão de deixar seguir foi adequada.
A pressão aumentou nos minutos finais e com ela os protestos encarnados. Aos 83 minutos, Pavlidis caiu numa disputa com André Ceitil, mas não existiu empurrão, agarrão ou puxão suficiente para justificar grande penalidade. O VAR confirmou a decisão inicial.
Já nos descontos, Lukebakio ficou muito perto do golo. Ewerton Silva evitou a entrada da bola com o pé esquerdo e as imagens mostraram que esta não ultrapassou completamente a linha de baliza. Sem a totalidade da bola para lá da linha, não poderia existir golo.
Pouco depois, Jhon Durán reclamou novo contacto dentro da área. As repetições mostraram Cristian Ferreira a esticar a perna, mas sem tocar na bola nem no pé do avançado benfiquista. Também aqui não existia fundamento para penálti.
A principal reserva à atuação de David Silva surge no tempo de compensação. Foram concedidos cinco minutos, apesar de uma segunda parte com seis paragens para substituições, dez jogadores lançados, um cartão amarelo, três golos e uma assistência médica. A estimativa técnica aponta para cerca de oito minutos como um período mais ajustado ao tempo efetivamente perdido.
Marco Silva ainda procurou o árbitro após o encontro, depois de uma fase final marcada por protestos do banco benfiquista. A frustração era compreensível perante a urgência de encontrar o 3-2, mas os principais lances reclamados dentro da área não sustentam uma arbitragem decisiva para o empate.
Foi uma partida com muito ruído em redor das decisões, mas pouca matéria para alterar o essencial: o Benfica perdeu pontos pela própria ineficácia e pelos golos que permitiu ao Académico de Viseu, não por uma decisão arbitral que tenha mudado o resultado.















