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Navegação principal da época 2026/27.

Marco Silva assume o tropeço: «Perdemos dois pontos que não deveríamos ter perdido»

O treinador recusou esconder a frustração depois do 2-2 e apontou sobretudo à forma como o Benfica sofreu os golos. Entre adeptos ligados ao clube, Gaspar Ramos viu ecos do passado recente, Jorge Corrula destacou Prestianni e criticou Sudakov, enquanto Luís Filipe Borges foi particularmente duro com a exibição encarnada.

Marco Silva não procurou atenuantes para o empate do Benfica frente ao Académico de Viseu. Apesar do elevado número de oportunidades criadas e de reconhecer o peso de jogar numa Luz sem público, o treinador concentrou a crítica naquilo que considera ter sido o verdadeiro problema da equipa: sofrer dois golos em situações que deveriam ter sido controladas.

«Um resultado muito mau para nós, não há que escondê-lo», afirmou o técnico, depois de uma partida em que o Benfica chegou ao intervalo com 15 remates, acertou três vezes nos ferros e terminou sem conseguir transformar a superioridade ofensiva em vitória.

Marco Silva foi particularmente crítico com os erros defensivos. «Marcámos dois golos, tivemos uma ineficácia muito grande, mas não podemos sofrer como sofremos», explicou, lembrando que o Académico marcou na sequência de um canto e de um lançamento lateral.

Para o treinador, esse é o problema prioritário. «Mesmo não marcando mais, dois golos seriam suficientes para ganhar», sustentou, insistindo na necessidade de maior agressividade nos duelos, melhor controlo das transições e contacto mais eficaz com os adversários dentro da área.

A ausência dos adeptos foi reconhecida como relevante, mas Marco Silva recusou construir aí uma desculpa. Admitiu que jogar sem público altera o fator casa, agradeceu o apoio recebido antes do encontro e assumiu a responsabilidade pelo resultado.

O discurso tornou-se ainda mais direto quando projetou as consequências do empate. «Tristes, frustrados, mas sem arranjar meios caminhos por onde ir», resumiu. E deixou definida a obrigação que nasce imediatamente do tropeço: «Perdemos dois pontos que não deveríamos ter perdido, temos de ir buscá-los noutro campo e noutro tipo de jogos.»

Fora do balneário, o empate provocou leituras igualmente críticas entre figuras ligadas ao universo benfiquista.

Gaspar Ramos encontrou semelhanças com problemas recentes: «Este foi um jogo que me fez lembrar o passado recente, em que controlamos o jogo, mas depois não corre como planeado.» O antigo dirigente considera que existe qualidade suficiente para discutir o campeonato, mas deixou um aviso: «Temos um bom plantel para sermos candidatos ao título, precisamos é de controlar a excitação.»

Jorge Corrula valorizou a atitude apresentada durante a primeira parte e destacou Prestianni como uma das notas positivas. Em sentido contrário, foi crítico com Sudakov: «Não me lembro de ver nenhum 10 do Benfica fazer tantos passes para trás.»

Luís Filipe Borges apresentou a leitura mais dura. O apresentador juntou o resultado a uma crítica mais ampla ao futebol português e terminou apontando à «incompetência tradicional» do próprio clube.

Entre o diagnóstico do treinador e a impaciência expressa fora do relvado, a mensagem converge num ponto: o 2-2 não foi tratado como um acidente irrelevante de início de época. O Benfica criou para ganhar, mas a forma como deixou fugir duas vantagens tornou o empate num primeiro aviso.