O FC Porto começou a defesa do título com aquilo que mais importava, uma vitória, mas sem uma exibição à altura da segurança do resultado. Dois penáltis conquistados por André Silva e a eficácia de André Silva e Gabri Veiga deram o 2-0 frente ao Alverca, numa partida em que os dragões atravessaram períodos de dificuldade e dependeram de Diogo Costa para impedir o adversário de regressar ao jogo.
A equipa de Francesco Farioli entrou melhor e conseguiu chegar à vantagem através da influência do seu ponta de lança. André Silva foi travado na área depois de um cruzamento de Froholdt e assumiu a grande penalidade, marcando no regresso aos golos pelo FC Porto no campeonato, nove anos depois.
O avançado voltaria a ser determinante na construção do resultado. Já depois do primeiro golo, sofreu novo penálti, desta vez num lance em que esteve envolvido William Gomes. André Silva estava preparado para voltar a bater, mas Gabri Veiga pediu a bola e converteu a segunda grande penalidade, fixando o resultado que acabaria por permanecer até ao final.
O 2-0, porém, conta apenas parte da história do jogo. O FC Porto teve dificuldades em controlar o Alverca, perdeu demasiadas bolas e nem sempre conseguiu encontrar soluções de jogo interior. Farioli reconheceu no final que a partida se tornou diferente daquela que esperava e que a equipa esteve longe de apresentar a sua melhor versão.
O Alverca aproveitou esses problemas para chegar com perigo à baliza portista. Ainda antes do intervalo, Vivaldo obrigou Diogo Costa a uma defesa exigente num remate forte. No início da segunda parte, o guarda-redes voltou a ser decisivo, realizando várias intervenções que impediram os ribatejanos de reduzirem a diferença numa fase em que conseguiam discutir o encontro.
O próprio treinador do FC Porto reconheceu a importância do capitão. Os dragões concederam oito remates e precisaram da segurança de Diogo Costa para terminar a primeira jornada sem sofrer golos.
Farioli acabou por intervir no meio-campo quando percebeu que a equipa estava a perder controlo. Alan Varela, titular depois de ter começado a Supertaça no banco, revelou dificuldades para dar velocidade à circulação e protagonizou uma perda de bola perigosa que Bednarek conseguiu corrigir. A entrada de Pablo Rosario trouxe maior capacidade física e ajudou o FC Porto a fechar espaços e a recuperar o domínio territorial.
Também Borja Sainz acrescentou energia pela direita e Rodrigo Mora, recebido com forte ovação no Dragão, deu maior vivacidade ao meio-campo nos minutos finais. Na defesa, Bednarek regressou de lesão para formar dupla com Kiwior e teve uma intervenção importante quando Vivaldo ameaçava ficar isolado. Martim Fernandes, chamado ao onze devido à ausência de Alberto Costa, sentiu dificuldades perante a velocidade do adversário e acabou por sair depois de sofrer uma pancada no pé.
A noite deixou ainda preocupação em torno de André Silva. Depois de ter sido a figura ofensiva da partida, o avançado saiu lesionado após uma torção no pé. Farioli admitiu que a situação terá de ser analisada com maior profundidade, enquanto o próprio jogador reconheceu preocupação depois de ver as imagens do lance.
O FC Porto terminou também o encontro com uma crítica à arbitragem de Luís Godinho. As duas grandes penalidades que decidiram a partida não foram assinaladas inicialmente pelo árbitro e só foram concedidas depois da intervenção do VAR Bruno Esteves. O clube recuperou mesmo um episódio da época anterior para criticar o juiz, embora ambas as decisões tenham acabado corrigidas através do vídeo-árbitro.
Ficou, no essencial, uma estreia mais eficaz do que convincente. André Silva provocou os dois lances que decidiram o resultado, Gabri Veiga juntou um golo ao do ponta de lança e Diogo Costa protegeu a vantagem quando o Alverca ameaçou. O FC Porto somou os três primeiros pontos da Liga, mas o próprio Farioli e os jogadores reconheceram aquilo que o jogo também mostrou: o campeão começou a ganhar antes de começar a jogar ao nível que pretende.















