O Benfica estreou-se na Liga com um daqueles empates em que o resultado conta uma história muito diferente da quantidade de jogo produzida. Criou oportunidades suficientes para vencer, acertou três vezes nos ferros e chegou ao intervalo com 15 remates, mas permitiu ao Académico de Viseu transformar dois momentos defensivos mal resolvidos num 2-2 que deixou os primeiros dois pontos da época pelo caminho.
A equipa de Marco Silva entrou dominadora e marcou aos nove minutos. Prestianni encontrou Pavlidis e o avançado grego finalizou uma jogada legal, dando expressão a uma superioridade que continuaria durante praticamente toda a primeira parte.
O problema foi tudo o que o Benfica não conseguiu fazer depois. As ocasiões sucederam-se, mas a vantagem permaneceu mínima. Marco Silva considerou que, com níveis normais de eficácia, o encontro deveria estar resolvido ao intervalo. Em vez disso, o Académico chegou vivo à segunda metade e encontrou espaço sobretudo em transições e bolas mais diretas.
Aos 68 minutos, André Clóvis aproveitou um cruzamento de Robinho e fez o 1-1, num lance sem qualquer situação irregular. O Benfica reagiu rapidamente e voltou para a frente, com Prestianni a materializar uma exibição em que foi um dos principais desequilibradores encarnados.
Nem a segunda vantagem trouxe, porém, a segurança que faltara desde o início. O Académico voltou a empatar e expôs precisamente a fragilidade que mais desagradou a Marco Silva: o Benfica sofreu um golo na sequência de um canto e outro depois de um lançamento lateral, dois momentos que o treinador considerou incompatíveis com a solidez exigida a uma equipa candidata ao título.
A partir daí, o jogo transformou-se numa corrida contra o tempo. Marco Silva lançou novas soluções ofensivas, terminou com Pavlidis e Jhon Durán em simultâneo e procurou largura e presença na área com Lukebakio e Schjelderup. As oportunidades continuaram a aparecer, mas a bola recusou-se a entrar.
Nos minutos finais houve ainda vários pedidos de penálti e um remate de Lukebakio que Ewerton Silva travou sobre a linha, sem que a bola a ultrapassasse completamente. O Benfica pressionou até ao fim, mas não encontrou o terceiro golo.
A ausência de público num Estádio da Luz à porta fechada retirou ao encontro o habitual ambiente caseiro. Marco Silva admitiu que esse fator teve impacto, mas recusou utilizá-lo como explicação para o resultado.
O essencial ficou noutro lugar: o Benfica produziu futebol suficiente para marcar mais, mas não defendeu com a mesma competência com que atacou. Depois de uma primeira parte em que poderia ter decidido o encontro, permitiu ao Académico de Viseu sobreviver e acabou castigado duas vezes.
A estreia deixa assim uma conclusão simples e incómoda para os encarnados: não faltaram oportunidades para ganhar. Faltou transformar o domínio em golos e a vantagem em controlo.















