Carlos Vicens saiu satisfeito com a vitória por 2-0 sobre o Áustria Viena, mas recusou qualquer ideia de qualificação antecipada. O treinador do SC Braga entende que a vantagem conquistada na Pedreira é importante, não definitiva, e escolheu uma frase para definir aquilo que pretende da equipa na segunda mão: «Um golo muda tudo.»
A leitura nasce também do próprio jogo. O Braga teve uma primeira parte muito forte e oportunidades para construir uma diferença superior, mas viu os austríacos acertarem na barra e obrigarem Bernardo Fontes a uma grande defesa logo depois do intervalo.
É esse Áustria mais agressivo que Vicens espera encontrar na próxima quinta-feira.
«Estamos apenas no intervalo da eliminatória», sublinhou, lembrando que o adversário tem energia, procura constantemente correr para a frente e é forte nos duelos.
O treinador não quer, por isso, uma equipa orientada exclusivamente para proteger dois golos. Quer corrigir aquilo que funcionou pior em Braga e apresentar uma versão ainda mais competente num cenário em que os austríacos terão de assumir mais riscos.
O grau de exigência de Vicens também se explica pela avaliação que faz da primeira mão. O treinador considera que, perante o volume produzido, um terceiro golo teria refletido melhor a superioridade da equipa.
Pau Víctor teve essa oportunidade num segundo penálti, mas Samuel Radlinger defendeu. Pouco depois, Diego Rodrigues resolveu a questão através de jogo corrido.
O golo do jovem médio teve significado especial para Vicens.
Diego foi um dos jogadores que mais sofreu durante os dias marcados pela infeção gastrointestinal e chegou ao encontro depois de uma preparação longe do normal. O treinador revelou que alguns jogadores pareciam recuperados durante dois dias e voltavam depois a apresentar sintomas.
Isso tornou difícil gerir o treino e avaliar a verdadeira capacidade física do grupo.
Vicens recusou usar o problema como desculpa e preferiu destacar aquilo que a equipa fez apesar dele: «A equipa esforçou-se, entendeu o que queríamos e procurou a vitória em todos os momentos.»
O treinador mostrou-se particularmente satisfeito com os jogadores lançados durante a segunda parte e com a ambição demonstrada perto da área.
É uma exigência que tem repetido internamente: quem ocupa posições ofensivas não pode limitar-se a participar na construção, tem de olhar para a baliza.
Diego respondeu exatamente dessa forma e marcou o segundo.
A semana até Viena será muito diferente daquela que antecedeu a primeira mão. O Braga não tem jogo do campeonato durante o fim de semana e poderá recuperar fisicamente, reintegrar jogadores e preparar a eliminatória com mais normalidade.
Vicens valoriza esse tempo, mas também sabe que o mesmo benefício chegará ao adversário.
«Ambas as equipas vão melhorar», advertiu.
Houve ainda um momento em que o treinador deixou a prudência de lado para mostrar desagrado. Questionado sobre a situação em que Vítor Carvalho teve de permanecer temporariamente fora do relvado após problemas físicos, Vicens remeteu a explicação para a equipa de arbitragem.
«Não sou treinador de perder tempo», afirmou, insistindo que o jogador tinha comunicado uma questão muscular e precisava de sair.
Foi uma das poucas manifestações de irritação numa noite em que o discurso esteve sobretudo orientado para o futuro.
O Braga venceu por dois, não sofreu e está mais perto da fase de liga. Vicens não contesta nenhuma dessas evidências.
Contesta apenas a conclusão mais confortável que delas poderia nascer.
Para o treinador, em Viena não haverá uma vantagem para administrar. Haverá outra metade para jogar.















