Jornada.pt
PesquisarEntrar

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

Data: 22 de agosto – 10 de setembro de 2026

Vicens recusa conforto do 2-0: «Um golo muda tudo»

Treinador considera que a eliminatória chegou apenas ao intervalo, quer um Braga ainda melhor em Viena e destacou a resposta de uma equipa que passou a semana condicionada por problemas gastrointestinais.

Carlos Vicens saiu satisfeito com a vitória por 2-0 sobre o Áustria Viena, mas recusou qualquer ideia de qualificação antecipada. O treinador do SC Braga entende que a vantagem conquistada na Pedreira é importante, não definitiva, e escolheu uma frase para definir aquilo que pretende da equipa na segunda mão: «Um golo muda tudo.»

A leitura nasce também do próprio jogo. O Braga teve uma primeira parte muito forte e oportunidades para construir uma diferença superior, mas viu os austríacos acertarem na barra e obrigarem Bernardo Fontes a uma grande defesa logo depois do intervalo.

É esse Áustria mais agressivo que Vicens espera encontrar na próxima quinta-feira.

«Estamos apenas no intervalo da eliminatória», sublinhou, lembrando que o adversário tem energia, procura constantemente correr para a frente e é forte nos duelos.

O treinador não quer, por isso, uma equipa orientada exclusivamente para proteger dois golos. Quer corrigir aquilo que funcionou pior em Braga e apresentar uma versão ainda mais competente num cenário em que os austríacos terão de assumir mais riscos.

O grau de exigência de Vicens também se explica pela avaliação que faz da primeira mão. O treinador considera que, perante o volume produzido, um terceiro golo teria refletido melhor a superioridade da equipa.

Pau Víctor teve essa oportunidade num segundo penálti, mas Samuel Radlinger defendeu. Pouco depois, Diego Rodrigues resolveu a questão através de jogo corrido.

O golo do jovem médio teve significado especial para Vicens.

Diego foi um dos jogadores que mais sofreu durante os dias marcados pela infeção gastrointestinal e chegou ao encontro depois de uma preparação longe do normal. O treinador revelou que alguns jogadores pareciam recuperados durante dois dias e voltavam depois a apresentar sintomas.

Isso tornou difícil gerir o treino e avaliar a verdadeira capacidade física do grupo.

Vicens recusou usar o problema como desculpa e preferiu destacar aquilo que a equipa fez apesar dele: «A equipa esforçou-se, entendeu o que queríamos e procurou a vitória em todos os momentos.»

O treinador mostrou-se particularmente satisfeito com os jogadores lançados durante a segunda parte e com a ambição demonstrada perto da área.

É uma exigência que tem repetido internamente: quem ocupa posições ofensivas não pode limitar-se a participar na construção, tem de olhar para a baliza.

Diego respondeu exatamente dessa forma e marcou o segundo.

A semana até Viena será muito diferente daquela que antecedeu a primeira mão. O Braga não tem jogo do campeonato durante o fim de semana e poderá recuperar fisicamente, reintegrar jogadores e preparar a eliminatória com mais normalidade.

Vicens valoriza esse tempo, mas também sabe que o mesmo benefício chegará ao adversário.

«Ambas as equipas vão melhorar», advertiu.

Houve ainda um momento em que o treinador deixou a prudência de lado para mostrar desagrado. Questionado sobre a situação em que Vítor Carvalho teve de permanecer temporariamente fora do relvado após problemas físicos, Vicens remeteu a explicação para a equipa de arbitragem.

«Não sou treinador de perder tempo», afirmou, insistindo que o jogador tinha comunicado uma questão muscular e precisava de sair.

Foi uma das poucas manifestações de irritação numa noite em que o discurso esteve sobretudo orientado para o futuro.

O Braga venceu por dois, não sofreu e está mais perto da fase de liga. Vicens não contesta nenhuma dessas evidências.

Contesta apenas a conclusão mais confortável que delas poderia nascer.

Para o treinador, em Viena não haverá uma vantagem para administrar. Haverá outra metade para jogar.