O Mundial de 2026 prolongou-se muito para além da final. Dos 1.248 jogadores convocados para a competição, 267 mudaram de clube durante a janela de transferências que se seguiu ao torneio, o equivalente a 21,4 por cento do universo de participantes.
Os negócios envolvendo esses futebolistas movimentaram mais de 3,3 mil milhões de dólares em taxas de transferência.
O fenómeno ajuda a medir a influência que uma competição desta dimensão continua a exercer sobre o mercado.
Alguns jogadores chegaram ao torneio já como ativos de enorme valorização. Outros transformaram as semanas nos Estados Unidos, México e Canadá numa montra capaz de alterar o respetivo estatuto.
O caso mais caro foi o de Enzo Fernández.
O antigo médio do Benfica deixou o Chelsea para reforçar o Manchester City numa operação de cerca de 146 milhões de euros, estabelecendo um novo máximo no futebol inglês.
O mercado global também atingiu dimensões inéditas.
Foram realizadas 12.575 transferências internacionais no futebol masculino e o investimento acumulado ultrapassou 9,8 mil milhões de dólares.
Inglaterra liderou novamente a despesa, à frente de Itália, Espanha e França.
Portugal destacou-se por outro indicador.
Os clubes nacionais contrataram 451 jogadores internacionais, o terceiro maior número entre todos os países, apenas atrás de Inglaterra, com 512, e Espanha, com 466.
Também houve grande circulação em sentido contrário: 458 jogadores deixaram clubes portugueses para o estrangeiro.
O saldo financeiro foi positivo. Portugal gastou aproximadamente 301 milhões de dólares e recebeu cerca de 642 milhões.
A dimensão do movimento confirma uma característica estrutural do futebol português.
Compra muito.
Vende ainda mais.
E o Mundial voltou a funcionar como acelerador de ambas as coisas.















