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Data: 22 de agosto – 10 de setembro de 2026

UEFA e CONCACAF estudam Liga das Nações conjunta com 96 seleções

Projeto poderá arrancar em 2028 sem aumentar o número de jogos internacionais. Aproximação entre as duas confederações surge num momento de crescente tensão institucional com a liderança da FIFA.

UEFA e CONCACAF estão a discutir a criação de uma Liga das Nações conjunta que reuniria as 96 seleções das duas confederações e poderia começar já em 2028. As conversações encontram-se ainda numa fase inicial, mas o projeto tem potencial para alterar profundamente o calendário e a geografia competitiva do futebol internacional.

Segundo o Guardian, a ideia passa por aproveitar as atuais janelas internacionais, sem acrescentar novos jogos ao calendário. As seleções seriam distribuídas por divisões competitivas, seguindo uma lógica semelhante às atuais Ligas das Nações, com uma fase decisiva e uma Final Four para determinar o vencedor.

O modelo permitiria encontros regulares entre seleções europeias e equipas da América do Norte, Central e Caraíbas, criando cruzamentos que atualmente dependem de particulares ou de grandes competições intercontinentais.

A dimensão comercial é evidente, mas o projeto contempla igualmente uma redistribuição de receitas que poderá beneficiar as federações com menor capacidade financeira. Os jogos seriam organizados de forma a reduzir deslocações sempre que possível e encaixados nas janelas de setembro, outubro e novembro, deixando os play-offs e a fase final para o primeiro semestre seguinte.

Nada está ainda aprovado.

As próprias confederações não apresentaram formalmente a nova competição e será necessário perceber a relação do projeto com o calendário internacional e com as competências regulamentares da FIFA.

É precisamente nesse ponto que a ideia ganha uma segunda dimensão.

UEFA e CONCACAF têm assumido posições cada vez mais críticas relativamente a Gianni Infantino, especialmente depois da contestação ao projeto FIFA Forward Enterprise e das divergências sobre a gestão comercial do futebol mundial. O Guardian noticia mesmo movimentos para encontrar uma candidatura alternativa à presidência da FIFA.

Infantino tem evitado responder diretamente a algumas das críticas. Abordado recentemente por um jornalista sobre a crise de liderança e os apelos à demissão, preferiu uma troca irónica sobre o corte de cabelo do repórter a discutir as acusações.

O episódio é lateral à discussão desportiva, mas ilustra o ambiente institucional em que o projeto UEFA-CONCACAF aparece.

Uma competição conjunta não é, por si só, uma iniciativa contra a FIFA. Pode existir por razões comerciais e competitivas perfeitamente autónomas. Mas a aproximação política entre as duas confederações dá ao projeto um significado que ultrapassa o formato dos jogos.

E o horizonte poderá ser ainda maior.

A confederação asiática já terá demonstrado interesse na possibilidade de uma futura competição intercontinental mais ampla.

Por enquanto, o plano começa no Atlântico.

Se avançar, uma Liga das Nações criada para substituir jogos que já existem poderá acabar por produzir uma mudança muito maior do que simplesmente decidir quem joga contra quem.