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Trubin recebeu crianças ucranianas na Luz e lembrou quando teve de deixar Donetsk aos 13 anos

Guarda-redes convidou, com Sudakov, jovens compatriotas deslocados pela guerra para assistirem ao Benfica-Estoril e explicou por que razão quis que o futebol lhes oferecesse algumas horas de normalidade.

Anatoliy Trubin viu-se a si próprio quando recebeu na Luz um grupo de crianças e jovens ucranianos que vivem longe do país de origem. O guarda-redes tinha 13 anos quando, em 2014, teve de deixar Donetsk e começar também um processo de adaptação a uma realidade diferente.

Foi essa memória que deu origem à iniciativa realizada com Georgiy Sudakov.

Os dois internacionais ucranianos convidaram crianças e respetivas famílias a assistir ao Benfica-Estoril e encontraram-se com o grupo depois do jogo.

Houve fotografias, autógrafos, camisolas e cachecóis.

Mas Trubin quis que houvesse sobretudo reconhecimento.

O guarda-redes recordou que sabe o que significa abandonar a própria cidade ainda criança e tentar reconstruir referências num lugar diferente.

No seu caso, houve algo que permaneceu constante.

«Para mim, esse algo sempre foi o futebol.»

É precisamente essa estabilidade que quis oferecer, durante algumas horas, às crianças que hoje atravessam uma experiência semelhante.

O encontro contou com o apoio institucional da Fundação Benfica e da representação diplomática ucraniana em Portugal, mas a iniciativa nasceu dos próprios jogadores.

Trubin explicou que o futebol esteve presente tanto nos momentos difíceis como nos mais felizes da vida e que pretendia utilizá-lo agora como instrumento de proximidade.

Não para apagar aquilo que aquelas crianças viveram.

Mas para criar uma memória diferente no meio disso.

O Benfica-Estoril terminou quando o árbitro apitou.

Para Trubin, a parte mais importante da noite começou depois.