Um robô humanoide percorreu os 100 metros em 9,39 segundos nos Jogos Mundiais de Robôs, em Pequim, superando a referência de 9,58 segundos estabelecida por Usain Bolt em 2009. O resultado tornou-se uma das imagens mais fortes de uma competição que procura demonstrar até onde chegou a evolução das máquinas humanoides.
A velocidade não foi o único progresso. Tiangong venceu provas de 400 metros, Tianzhuo completou os 1.500 metros em 2.21,64 minutos e Tianjiao alcançou 7,97 metros no salto em comprimento.
À medida que os robôs se tornam mais rápidos e potentes, surgem, porém, novos problemas. Alguns conseguiam acelerar e executar corretamente o salto em comprimento, mas continuavam a correr depois da aterragem por não conseguirem travar a tempo.
As limitações também ficaram expostas noutras modalidades. Nos combates, golpes mais fortes deslocavam proteções; no futebol, várias máquinas chocavam entre si na disputa da bola; e até posições estáticas de tai chi provocavam dificuldades de equilíbrio.
As provas destinadas a reproduzir atividades quotidianas revelaram desafios diferentes. Os humanoides tiveram de pesar materiais, construir estruturas com blocos, manipular pequenos objetos, preparar alimentos e responder a situações simuladas de emergência.
A autonomia tornou-se um dos critérios fundamentais. As tarefas realizadas sem intervenção humana valem o dobro das executadas através de controlo remoto, incentivando o desenvolvimento de máquinas capazes de perceber o ambiente e tomar decisões por conta própria.
Também a infraestrutura de comunicações está a ser utilizada como campo de experimentação. Uma rede 5G avançada foi preparada para separar o tráfego das máquinas das comunicações dos restantes utilizadores, enquanto é estudada a possibilidade de transferir parte do processamento dos robôs para sistemas externos.
O contraste resume o atual momento da robótica humanoide: as máquinas já conseguem executar proezas físicas que pareciam distantes, mas continuam a encontrar enormes dificuldades quando enfrentam a imprevisibilidade e a precisão exigidas pelo mundo real.















