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Referência a «Nepal e Tibete» numa homenagem às vítimas das cheias provoca contestação na China

Real Madrid realizou um minuto de silêncio antes do jogo com o Málaga e publicou depois a mesma formulação nas redes sociais. Órgãos estatais chineses consideram que o texto apresenta o Tibete como entidade equivalente ao Nepal.

Uma homenagem do Real Madrid às vítimas das cheias devastadoras nos Himalaias transformou-se numa polémica política na China. O problema não está no minuto de silêncio realizado no Santiago Bernabéu, mas na formulação utilizada pelo clube para explicar a iniciativa nas redes sociais: uma referência às vítimas das inundações «no Nepal e no Tibete».

O momento aconteceu antes do encontro com o Málaga.

Jogadores e estádio respeitaram um minuto de silêncio pelas vítimas da catástrofe que atingiu a região fronteiriça entre Nepal e China depois do colapso de uma massa de gelo, rocha e lama nos Himalaias.

A mesma formulação utilizada pelo clube desencadeou depois críticas na China.

Órgãos estatais e utilizadores das redes sociais chinesas consideram que colocar «Tibete» e «Nepal» na mesma construção linguística pode transmitir a ideia de duas entidades políticas equivalentes.

Pequim defende a utilização de «Xizang» ou de formulações que identifiquem explicitamente a Região Autónoma do Tibete como parte da China.

O Real Madrid utilizou simplesmente a designação geográfica «Tibete», sem fazer qualquer referência à soberania ou ao estatuto político do território.

É precisamente essa ausência que está no centro da divergência.

Para os críticos chineses, a construção é politicamente incorreta e reproduz uma linguagem associada a posições separatistas. Numa leitura estritamente geográfica e humanitária, porém, Nepal e Tibete identificam os dois lados da região atingida pela mesma catástrofe.

O Tibete integra administrativamente a República Popular da China como região autónoma, embora a história da incorporação, a autonomia política, os direitos culturais e religiosos e a relação de Pequim com a população tibetana continuem a ser temas de forte controvérsia internacional.

A polémica ganhou dimensão nas redes sociais chinesas, onde o Real Madrid tem uma base significativa de seguidores.

Até esta quarta-feira, a formulação original permanecia publicada e o clube não tinha apresentado uma explicação pública específica sobre a contestação.

Enquanto isso, a dimensão humana que motivou a homenagem continua a aumentar.

As cheias de 26 de agosto provocaram mais de mil mortos e milhares de desaparecidos nos dois lados da fronteira, com equipas de resgate ainda a procurar sobreviventes em zonas de acesso extremamente difícil.

Foi essa tragédia que o Real Madrid tentou assinalar.

Uma frase transformou a homenagem num debate sobre território, linguagem e política.