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Pimenta regressa com dois ouros e uma ambição diferente: «Já não me movo só pelas medalhas»

Campeão mundial de K1 1000 e K1 5000 foi recebido no Porto depois da dobradinha em Poznan. Aos 37 anos, mantém Los Angeles 2028 no horizonte, mas coloca o legado acima de uma terceira medalha olímpica.

Fernando Pimenta regressou esta segunda-feira a Portugal com duas medalhas de ouro e uma relação diferente com aquilo que ainda procura conquistar. Campeão mundial de K1 1000 e K1 5000 em Poznan, o canoísta de 37 anos foi recebido no Aeroporto Francisco Sá Carneiro por familiares e adeptos e deixou claro que a continuidade até Los Angeles 2028 já não depende apenas da possibilidade de acrescentar outra medalha ao currículo.

«Já não me movo só por causa das medalhas. Movo-me pelas emoções que estou a conseguir criar nas pessoas», explicou.

A frase surge depois de um dos melhores fins de semana de uma carreira construída precisamente através de medalhas.

Pimenta venceu primeiro os 1000 metros, numa final decidida por uma margem mínima, e dominou depois os 5000, distância em que se sagrou campeão do mundo pela terceira vez. O Comité Olímpico de Portugal confirmou a vitória longa em 24.15,72 minutos, à frente do sul-africano Hamish Lovemore e do dinamarquês Mads Pedersen.

Portugal terminou os Mundiais com quatro pódios: dois ouros de Pimenta, prata no K2 500 e bronze no K4 500.

A diferença entre as duas vitórias também lhe deu satisfação.

Nos 1000 metros encontrou uma regata «arrancada a ferros». Nos 5000 sentiu-se «num patamar superior» aos adversários, sensação que interpreta como confirmação de que a preparação continua capaz de produzir rendimento de topo aos 37 anos.

Essa preparação tem um custo que Pimenta fez questão de tornar visível.

Falou de sete dias por semana dedicados ao alto rendimento, dos treinos com frio, vento ou temperaturas próximas dos 45 graus e do tempo retirado à família. Chamou aos calos das mãos «medalhas invisíveis».

Los Angeles continua no horizonte.

Pimenta está bem colocado no processo de qualificação olímpica, mas recusa transformar 2028 numa obsessão pelo ouro que ainda lhe falta. Já conquistou duas medalhas olímpicas e considera uma terceira «a cereja no topo do bolo».

A motivação mudou de lugar.

Antes estava sobretudo naquilo que podia ganhar.

Agora está também naquilo que deixa.