A rapidez com que Alessandro Circati chegou ao Benfica foi acompanhada por uma certeza do lado da família: entre os clubes interessados, foi a estrutura encarnada que transmitiu de forma mais clara a vontade de contratar o central australiano.
Gianfranco Circati, pai do jogador e antigo futebolista, revelou que as primeiras conversas aconteceram apenas cerca de duas semanas antes de a operação ficar concluída.
«O Benfica foi o clube que mais demonstrou o quanto queria o Ale», explicou, descrevendo a dimensão e a história do clube como argumentos que praticamente dispensaram um trabalho prolongado de convencimento.
A transferência acelerou na reta final. O processo ficou fechado na quarta-feira e Circati foi oficializado nesse mesmo dia, deixando o Parma e assinando um contrato válido até 2031.
Na sexta-feira já estava no Benfica Campus.
O central realizou testes físicos, conheceu Marco Silva, a equipa técnica e os novos companheiros e iniciou trabalho no relvado, começando uma adaptação que o treinador pretende fazer sem saltar etapas.
Aos 22 anos, Circati chega como concorrente direto para o eixo defensivo e como jogador escolhido para preencher o espaço aberto pela saída de António Silva.
Nas primeiras palavras como futebolista do Benfica já se tinha definido como um defesa agressivo, confortável numa linha de três ou quatro e com vontade de participar na construção ofensiva.
O pai acrescenta agora a dimensão familiar da escolha.
Gianfranco nasceu e jogou em Itália, mas a carreira levou-o para Perth quando Alessandro tinha apenas um ano. Foi na Austrália que o filho cresceu e começou a jogar, antes de regressar à Europa e construir no Parma o percurso que o levou à Serie A e à seleção australiana.
O Mundial de 2026 acelerou essa projeção. Circati chegou a Lisboa depois de competir pela Austrália no maior palco internacional e a família acredita que a mudança para o Benfica representa o passo seguinte de uma carreira ainda em crescimento.
Houve ainda uma conversa curiosa antes da decisão.
Circati pediu informações a Nestory Irankunda, seu companheiro na seleção australiana e agora jogador do Sporting. O extremo falou-lhe bem de Lisboa, do ambiente da cidade e dos adeptos, sem esquecer um detalhe que em breve poderá colocá-los em lados opostos: a rivalidade entre os dois grandes clubes da capital.
A aproximação entre os compatriotas termina aí quando chegar um dérbi.
Por agora, ambos atravessam praticamente ao mesmo tempo a adaptação a Portugal.
Para a família Circati, houve ainda um momento com peso simbólico na chegada à Luz. Gianfranco destacou o encontro com Rui Costa, figura que conhecia desde os tempos do antigo internacional português no futebol italiano, descrevendo-o como «a cereja no topo do bolo».
O simbolismo não substituirá a competição.
Circati chega para lutar por espaço num setor onde Tomás Araújo e Lenglet partiram à frente e Marco Silva já deixou claro que um reforço desta dimensão é contratado para disputar a titularidade, não apenas para completar o plantel.
O primeiro treino já aconteceu. A fase seguinte será mais exigente.
Depois de duas semanas suficientes para mudar de clube e de país, Alessandro Circati começa agora o trabalho mais demorado: conquistar um lugar no Benfica.















