Nádia Gomes soube que Diana Silva estava grávida e a primeira reação foi de felicidade. A segunda foi reconhecer naquele anúncio uma realidade que conhece por experiência própria: a dúvida sobre o lugar que a maternidade ainda permite ocupar a uma futebolista profissional.
A internacional portuguesa foi mãe em 2019.
Na altura estava sem clube, depois de terminar a ligação ao Orlando Pride, e essa circunstância tornou o futuro muito mais incerto.
«Tive medo. Não sabia se alguém me iria querer.»
Nádia sabia que nos Estados Unidos já existiam estruturas capazes de acompanhar atletas durante a gravidez e no regresso à competição, mas também percebia uma diferença essencial: não tinha um clube a assegurar esse percurso.
A gravidez interrompeu a carreira.
Depois surgiu a pandemia e aquilo que inicialmente podia ser uma paragem curta transformou-se numa ausência de cinco anos do futebol profissional.
Em 2022 decidiu tentar voltar.
Recuperou treino específico, participou depois numa competição de desenvolvimento e terminou uma das temporadas como melhor marcadora. No final de 2023 voltou também ao radar da seleção portuguesa.
O percurso conduziu-a novamente ao futebol profissional e atualmente representa o Chicago Stars.
É essa experiência que a faz olhar para Diana Silva com uma mistura de identificação e esperança.
Nádia considera que a gravidez de uma jogadora estabelecida da seleção pode contribuir para normalizar uma realidade que durante demasiado tempo foi tratada como incompatível com a carreira de alto rendimento.
Não pretende transformar a própria história num caso extraordinário.
Prefere utilizá-la como prova de uma possibilidade.
«Ser mãe não deve parar o futuro de uma mulher.»
No futebol feminino, essa frase ainda é também uma exigência estrutural.















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