Jornada.pt
PesquisarEntrar

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

Nádia Gomes regressou cinco anos depois de ser mãe: «Não sabia se algum clube me iria querer»

Internacional portuguesa vê na gravidez de Diana Silva um sinal de evolução para o futebol feminino e recorda o receio de tentar reconstruir uma carreira interrompida quando estava sem clube.

Nádia Gomes soube que Diana Silva estava grávida e a primeira reação foi de felicidade. A segunda foi reconhecer naquele anúncio uma realidade que conhece por experiência própria: a dúvida sobre o lugar que a maternidade ainda permite ocupar a uma futebolista profissional.

A internacional portuguesa foi mãe em 2019.

Na altura estava sem clube, depois de terminar a ligação ao Orlando Pride, e essa circunstância tornou o futuro muito mais incerto.

«Tive medo. Não sabia se alguém me iria querer.»

Nádia sabia que nos Estados Unidos já existiam estruturas capazes de acompanhar atletas durante a gravidez e no regresso à competição, mas também percebia uma diferença essencial: não tinha um clube a assegurar esse percurso.

A gravidez interrompeu a carreira.

Depois surgiu a pandemia e aquilo que inicialmente podia ser uma paragem curta transformou-se numa ausência de cinco anos do futebol profissional.

Em 2022 decidiu tentar voltar.

Recuperou treino específico, participou depois numa competição de desenvolvimento e terminou uma das temporadas como melhor marcadora. No final de 2023 voltou também ao radar da seleção portuguesa.

O percurso conduziu-a novamente ao futebol profissional e atualmente representa o Chicago Stars.

É essa experiência que a faz olhar para Diana Silva com uma mistura de identificação e esperança.

Nádia considera que a gravidez de uma jogadora estabelecida da seleção pode contribuir para normalizar uma realidade que durante demasiado tempo foi tratada como incompatível com a carreira de alto rendimento.

Não pretende transformar a própria história num caso extraordinário.

Prefere utilizá-la como prova de uma possibilidade.

«Ser mãe não deve parar o futuro de uma mulher.»

No futebol feminino, essa frase ainda é também uma exigência estrutural.