José Mourinho entra na nova campanha europeia do Real Madrid com três ideias que ajudam a explicar o momento: acredita que a equipa jogou melhor do que o resultado frente ao Betis sugere, exige respostas sobre a arbitragem desse encontro e não esconde que deixou um projeto em que acreditava no Benfica porque surgiu uma oportunidade que, para si, tinha um peso diferente.
«O Real Madrid é o Real Madrid, e ponto final.»
Mourinho admitiu que estava confortável na Luz e convencido de que o trabalho desenvolvido produziria resultados a curto prazo. O convite para regressar ao Santiago Bernabéu alterou, porém, a equação.
O português valorizou especialmente o facto de o clube o ter procurado num contexto diferente daquele da primeira passagem. Em 2010 chegara depois de conquistar tudo com o Inter. Agora regressou pela memória que o Real Madrid guardava do seu trabalho e pela convicção de que poderia ajudar a reconstruir uma equipa que procura estabilidade.
É precisamente essa estabilidade que Mourinho identifica no Inter, adversário desta terça-feira.
O treinador considera a equipa italiana um exemplo de continuidade estrutural mesmo atravessando diferentes ciclos técnicos e entende que o Real ainda trabalha para recuperar essa consistência.
Isso não reduz a exigência.
«Quero ganhar.»
Mourinho recusou transformar o novo formato da Champions numa margem para facilitar. Existem oito jogos na fase de liga, mas pretende tratar a estreia como se não houvesse outros sete.
A derrota com o Betis continua, entretanto, presente.
O treinador assume que o Real perdeu porque não transformou a produção ofensiva em golos, mas quer perceber por que razão uma grande penalidade não foi repetida.
A questão é direta: ou o VAR desconhecia o regulamento ou decidiu não intervir apesar de o conhecer.
Mourinho também questionou o cartão mostrado ao capitão quando este se aproximava do árbitro para pedir explicações, lembrando que a própria arbitragem incentiva esse canal de comunicação.
Nada disso, insiste, serve para transferir responsabilidades.
O Real Madrid perdeu porque não marcou aquilo que criou.
Agora chega o Inter.
E Mourinho volta ao contexto em que construiu uma parte importante da carreira com a mesma lógica que diz acompanhá-lo há mais de duas décadas.
O próximo jogo é sempre o que tem de ganhar.















